Jagged Little Pill é um grande esforço para sobreviver a um clímax de distopia absurdamente emocional e verdadeiramente ingênuo.

Falar sobre Jagged Little Pill é uma pretensão delicada que exige um certo tom de lucidez. E não é fácil escrever ou pretender escrever sobre o que você é, sobre o que soa uma vida inteira, sobre o que transborda e denuncia excessos, mas ao mesmo tempo aponta para uma latente necessidade de se adquirir ou atingir algum tipo de coesão emocional, em algum nível que me satisfaça enquanto um homem em busca de mim mesmo, um homem que se perdeu em diversos momentos da vida, um homem que apostou em um único amor e perdeu, perdeu feio.

É delicado, mais uma vez, abordar Jagged Little Pill porque isso esbarra em contextos pessoais. Mas, o tom dessa minha fala não pode girar em torno de dificuldades, em torno de rejeições não superadas, muito menos em torno das minhas dificuldades de lidar com a parte escura do amor.

O álbum que eu me proponho a escrever aqui não é uma válvula de escape, longe disso. Eu costumo dizer que eu não sei fazer auto-referências sem fazer longas citações de Jagged Little Pill. O universo poético existente nesse disco transcende toda e qualquer capacidade de descrever emoções humanas, e as palavras são, por sua própria natureza, limitadas e relativas.

Alanis Morissette

Jagged Little Pill não é apenas o disco mais importante da minha vida. Tudo o que eu sou hoje como ser humano, como homem, começou aqui, com um disco de 1995, cuja habilidade de ser atemporal ultrapassa o espaço-tempo.

Ser atemporal nessas minhas divagações literárias quer dizer muito, ainda que a minha capacidade de transmutar as minhas emoções e convicções se percam na imensidão de um vocabulário não totalmente dominado.

Jagged Little Pill é sobre ser miseravelmente rejeitado e você não entender porque o amor, às vezes, é amargo, a ponto de você sentir a loucura como a sua melhor amiga. Eis que falar de loucura não me leva para o abismo. É uma loucura inteligente porque apesar de despertar acidez emocional, há contrabalanços: há um esforço quase bem sucedido de soar centrado e verdadeiro, a tal ponto que tudo parece se virar para uma patética situação de ingenuidade.

Essa confluência existencialista me fez ao longo de 14 anos ( especificadamente a partir de 2006) me sentir pequeno, mas não pequeno de sentimento, é pequeno de impotência, pequeno de egoísmo, pequeno de escrever para o grande amor da minha vida, mesmo sabendo que ele é feliz e tem uma vida perfeita. Pequeno porque, apesar das ironias da vida, você não quer destruir a felicidade alheia. Pequeno porque você guarda uma imensidão de amor dentro de si, mesmo que esse amor não seja capaz de criar pontes seguras entre discernimento e um falso crime passional.

O meu maior crime na vida foi amar demais e eu me sentiria lisonjeado se a minha criminalização fosse vista do ponto emocional, porque tudo se resume ou quer se encerrar em um grande balanço poético centrado e seguro. E isso pesa, é tão sólido e tão ardente que todas as minhas tentativas de mergulhar me fizeram patinar no raso. Eu preciso ir mais fundo, mas é complicado quando você se sente verdadeiramente entorpecido.

Trilhei vários caminhos, mas todos eles me levavam para um ponto inicial. Ser circular me fez refletir sobre todo esse abismo sentimental. Tudo isso passou a ser analisado por mim sob a perspectiva da “Lei da Causa e Efeito”. Só poderia ser uma necessidade de queima de um Karma forte, que me obrigava a reconsiderar a cada segundo tudo o que eu pensava a respeito de empatia, cumplicidade, ingenuidade e minha capacidade de estabelecer diálogos emocionais com o maior interlocutor da minha vida.

Um interlocutor ausente, um interlocutor que só existe porque eu ainda insisto nisso, nesse drama pessoal que só encontrou algum modo de alívio nas treze canções que compõem o maior álbum da minha vida: Jagged Little Pill.

Não é apenas um contexto de um amor não correspondido. Não é apenas um álbum sobre carências, desilusões camufladas em uma voz envolvente de ódio.

Jagged Little Pill é, para mim, um disco sobre discursar com e sobre o amor. Um amor às avessas que transformou a minha personalidade. É pela falta [dele] que eu encontrei algum modo de proteção. E essa falsa proteção às vezes parece falhar e sou levado a mergulhar em mares totalmente desconhecidos.

Alanis Morissette Jagged Little Pill Resenha

A lógica de Jagged Little Pill é digerir tudo ao mesmo tempo. Crises, isolamentos, gritos de ódio, incertezas, inseguranças, perdão, reconciliação, perdas, rejeições, uma espiritualidade minimamente idealizada, uma vontade de sexualizar um amor que não era para ser e que não é consciente da sua necessidade de auto-aborto.

E abortá-lo aqui parece negar o meu próprio caminho para o verdadeiro auto-conhecimento, sem o qual a vida não teria feito sentido, numa espécie de descer aqui para sentir na pele a Lei Pendular, mesmo tudo ainda soando escuro e pesado.

Mais uma vez em me esbarro no meu devaneio quase obsessivo em ligar toda essa história em um grande Karma, uma vivência existencial marcada pelas minhas palavras confusas e verborrágicas.

Não sei ao certo se alguém lê esse recorte do meu pensamento, essa perspectiva emocional e pessoal limitada por esse conjunto de palavras, mas a questão é que Jagged Little Pill é um grande esforço para sobreviver a um clímax de distopia absurdamente emocional e verdadeiramente ingênuo.

Amor e ódio parecem se entender a tal ponto que um só existe de forma unilateral e o outro é um modo de dizer a alguém – ainda que esse alguém seja você próprio, que a vida é múltipla, não linear, e eu poderia fazer longas divagações para falar sobre algo que não se pode falar, apenas sentir.

Amor é ligação, é aprendizado, é um estado consciencial que te leva para lugares inimagináveis. Amor não é apenas um sentimento, muito menos uma necessidade egoísta de troca, troca de energia, de fluídos corporais, troca de emoções, troca de cumplicidade, troca de sabores não reinventados.

Amor é uma ligação porque exige de dois lados. Mas, isso não é um subterfúgio para que isso aqui caia em um sentimentalismo barato e rotineiro.
Bem, quando eu falo em ligação em quero discorrer sobre possibilidades. E possibilidade não deve se perder em expectativas egoístas.

Jagged Little Pill foi o fio condutor para que eu percebesse e aprendesse a lidar com uma palavra tão pequena, mas tão perigosa, tão auto-destrutiva: ego. Ego é conforto ao contrário. Ele te faz acreditar em algo essencialmente inexistente. E, mais uma vez, é delicado escrever sobre tomada de consciência, porque isso é um processo estritamente pessoal e quase sempre extremamente dolorido.

Eu não queria e talvez não deveria relacionar o meu processo de tomada de consciência com o disco Jagged Little Pill, mas eu já tenho 31 anos e nada mais na vida me importa, exceto uma coleção pequena de valores e convicções. Uma das convicções de que não abro mão é preservar o mundo externo ao meu fantástico universo de solidão. Eu nunca poderia dizer aqui sobre ele, sobre a pessoa que eu sempre amei, sobre as linhas do universo que ligaram as nossas vidas de forma tão irregular.

E a irregularidade soa para mim como uma espécie de coletivo de sentimentos que obrigatoriamente eu precisava e preciso experienciar. Para não cair na repetição, eu vou deixar no ar mais uma vez a minha convicção sobre o Karma sendo o grande protagonista dessa grande história de suspense emocional.

Alanis Morissette 2

A questão que eu quero pontuar é que Jagged Little Pill foi o ponta pé inicial para a minha implosão existencial. De um garoto apaixonado pela primeira vez para um homem de 31 anos à deriva, com os seus sabores, rótulos, textos e amor insolucionável. Há mais coisas que eu queria dizer sobre mim, mas isso conflitaria demasiadamente com a minha convicção de não exposição.

Jagged Little Pill, que eu não faço questão de traduzir, é uma batalha pessoal contra um amor explosivo. Mas, esse amor não é tema central, ao menos unicamente. Quem o é, é um sujeito em processo de auto-conhecimento, vivenciando o seu próprio e solitário purgatório. Jagged Little Pill é como olhar no espelho e perceber do lado de lá que há muita coisa que eu queria dizer a mim mesmo, a começar com: você precisa sobreviver; você tem um coração bom; você o ama fora de proporção e você precisa alimentar a sua lucidez; você não é perfeito; você precisa respirar todas as vezes que você se mutilar por causa dele; você é espetacularmente corajoso por escrever sobre ele e como ele é peça fundamental para você se sentir inseguro; você precisa se cuidar para que a sua insegurança não te deixe abalado, em um estado de colapso irreversível; você não vai conseguir esquecê-lo e ele não se importa com você; você é carente; você não é atraente; você parece ser um pouco inteligente; você não fuma; você é irritante; você cria expectativas; você quer evoluir; você quer transar com ele; você sente o coração pulsar mais forte; você está ficando velho; você é um homem para casar, mas ele não gosta de você; você o respeita, você quer o bem dele; você deveria querer o seu próprio bem…

Eu sinto que eu deveria parar por aqui, porque eu não sei representar um choro que oscila entre saudade do que não fomos e o nível de discernimento emocional que eu consegui atingir.

All I Really Want é a música que abre o disco. O verbo querer é tema central, mas não se confunde com um ego raso. É um querer alcançar um estado de consciência, querer que o mundo seja um lugar mais confortável porque a destruição existencial causada pelo amor é tão grande que as forças que me mantém de pé são direcionadas, voluntariamente ou não, para uma busca incessante de purificação. E purificar-se, muitas vezes, é querer consertar o mundo, o seu mundo, no grito.

Eis que essa música é apenas o primeiro passo para despertar; é uma fúria em choque, em vias de transgressão. Primeiro você grita. Daí, você ouve o alcance da sua voz e o estrago que ela é capaz de fazer, principalmente dentro de si. Gritar aqui, é muito mais do que uma jogada de sobrevivência. Gritar é querer convencer, se convencer que há algo a ser decifrado, que há um ser em processo de empoderamento emocional, em processo de construção e desconstrução, simultaneamente.

O Amor se torna uma válvula, uma língua em busca de trégua, uma canalização em busca de redenção. All I Really Want é como você escrever uma linda carta de amor enumerando para ele todas as partes que você despertou dentro de si por causa das rejeições. E é fantasticamente inspirador quando você é capaz de mergulhar em um oceano de dor e encontrar lá partes de você que você nunca poderia imaginar que existiam.

You Oughta Know é o lado subversivo dessa história. Eu preciso e vou mais além. YOK é um discurso ambivalente que parece contradizer tudo o que eu disse até aqui. Mas, a verdade é que YOK é uma maneira cômica do universo dizer que precisamos deixar sair de dentro, tomar vida, limpar o que não podemos tocar, o que é muito difundido por aí como um processo de catarse, deixar sair, porque não te pertence. E, só após esse processo de cura interna é que teremos condições energéticas para reconstruir as bases, as nossas convicções e valores. YOK é assim, muito mais do que uma voz de raiva. É um processo de deixar ir, estritamente necessário para o nosso auto-fortalecimento.

Já Perfect representa a instabilidade, os altos e baixos da nossa jornada de auto-conhecimento. E, eu penso que preciso dizer que eu acredito fortemente que auto-conhecimento não é só uma jornada espiritual, em busca de conexão do homem com Deus. Auto-conhecimento envolve todos os aspectos da vida, de descobrir que “o mapa não é o território” e que toda essa avalanche que tomou vida através de um amor não correspondido deve ter um sentido, tem que ter. E enquanto não se acha esse sentido existencial, Perfect soa como quase uma carta de suicídio. Há uma cobrança externa, mas no meu ponto de vista, na minha humilde interpretação, a maior e mais grave cobrança é a cobrança interna, uma luta para não perder o discernimento e uma súplica para ter clareza mental. Perfect é a música perfeita para denunciar a dualidade do ser. E, essa denúncia não se dá de forma linear e talvez ela esteja entrelinhada, mas à disposição do ouvinte que queira entendê-la, como um “quem tem ouvidos, que ouça”.

Hand in My Pocket é uma rápida tomada das rédias do caminho, mesmo que tudo ainda esteja indefinido, incerto e a perplexidade seja uma realidade quase que imposta. Em Hand in My Pocket Alanis retrata a sua jornada de forma mais leve, em formato de ironia, o que é certamente um meio seguro de seguir o caminho, mesmo se você estiver sozinho, descalço e em uma total escuridão.

Right Through You retrata a minha visão de mundo não linear. Aqui, enquanto há um discurso latente de evolução, de tomada de consciência, RTY emerge no disco para mostrar que esse processo consciencial não elimina e muito menos controla um amor não correspondido, ou melhor, um amor não compreendido nem mesmo pelo seu principal protagonista.

Forgiven dá o ar da graça para mostrar que o processo de expansão de consciência, que envolve necessariamente, uma profunda busca interna, também pode e deve esbarrar na questão da religiosidade, mesmo que, ao menos nessa canção, não haja um nível de discurso claro e coeso,a ponto de ser capaz de mostrar para o ouvinte que está tudo sobre o controle do ponto de vista espiritual. Vejo e vivencio Forgiven como uma necessidade de recomeçar, de ser capaz de analisar as minhas carências e emergências internas, tudo com uma prudente crítica ao meu mundo externo, espetacularmente em decadência. É como não conseguir se pertencer aos dogmas religiosos porque eles são rasos ou falsos e ao mesmo tempo você ser capaz de perceber a necessidade de estabelecer um nível de prudência na sua vida, no seu modo de conduzir os seus valores e convicções, enfim, na formação da sua própria personalidade.

You Learn resume todos os devaneios das canções anteriores, como se você passasse por uma turbilhão de experiências e emoções e chegasse aos 31 anos [no meu caso] sendo, ao menos, capaz de fazer um balanço dessa história toda sem perder a sua tão preciosa sanidade.

Head Over Feet, com um ar mais sereno, abandona o ar de coração partido para falar, ainda que do ponto de vista da idealização, de um amor sentido, compartilhado, de uma relação “win and win”, enfim, de um amor que até então soou como utópico e avassalador.

Em seguida temos a complexa Mary Jane, uma canção que surge, ao meu ver, de uma dura tomada de consciência: o amor de Head Over Feet não existe, tudo continua desolador, não há reciprocidade de sentimentos, sequer há um diálogo de duas pessoas adultas. Mary Jane é um discurso para vencer a depressão causada por esse universo caótico, separatista e mais uma vez não linear.

Por muito tempo ao longo dos meus 31 anos eu me cobrei além do que eu poderia e deveria e sempre me vi como a própria Mary Jane, personagem dessa canção. Em algumas dessas vezes eu escrevi alguns textos, como se fossem cartas direcionadas para ela. Mas, o que as pessoas não sabem é que essas cartas eram, na verdade, endereçadas para mim mesmo, de forma velada.

A minha identificação com o personagem que dá nome a essa canção é imediata. Na verdade, acredito que há em cada um de nós uma Mary Jane que precisa de reabilitação, que precisa de uma soma de esforços para que ela cresça e desperte para a realidade, tão duramente imposta a nós e que muitas vezes custa a nossa própria capacidade de enxergar a Verdade.

Ironic é aquela voz que procura encontrar ironia na sua própria tragédia. A vida tem dessas coisas, de fazer você rir quando você já cansou de chorar, quando você já cansou de esperar por alguém que não vai te ligar, muito menos corresponder você de alguma forma.

Alanis Morissette, singer

Já perto do fim do álbum temos Not The Doctor, uma canção que critica o lado supérfluo dos homens, ou melhor, a inexistência da capacidade de troca de sentimentos por parte dos homens, que são, via de regra, uma característica tendente aos seres masculinos.

Not The Doctor aborda exatamente esse universo de carência, de desequilíbrio entre Yin e Yang, do drama que é amar demais sem reciprocidade; da covardia que é ter que conviver com o silêncio, com a indiferença, com a frieza de sentimentos. Mas, a grande sacada dessa canção é que nunca há perda de lucidez.

Apesar dela ilustrar um ser em explosão por dentro, por causa desse amor irremediável, há uma personagem que parece ser adulta, parece ter um nível de discernimento acima da média, e isso soa extremamente louvável porque essa habilidade é, ao menos para mim, o que vem me mantendo de pé, mesmo que eu tenha que me socorrer nos meus textos para que eu consiga extrair algum sentido para todo esse drama emocional.

Por fim, Wake Up não foge das minhas elucidações expostas acima e aqui há uma necessidade de apontar a facilidade de desvalorizar, menosprezar, ignorar um amor. E o lado genial dessa canção que acaba minando todo o disco é que em nenhum momento há uma cobrança direta por reciprocidade. Acho que a Alanis, em Jagged Little Pill, assim como os rumos que trilharam a minha vida, nunca exigiram um amor em forma de esmolas ou de obrigação.

Nunca se quis criar um envolvimento emocional obrigatório. Fato é que a vida possui duas moedas. Quando se ama alguém demasiadamente e não há a troca esperada, o Universo cria a sua própria maneira de contrabalancear esse sentimento. E esse contrabalanço é a linguagem do Jagged Little Pill. Isso, Jagged Little Pill é uma linguagem do Universo para contrabalancear um amor não correspondido e não compreendido.

Não é um disco de amor, precipuamente. É um disco com uma tônica circular, coerente e que denota uma atmosfera de alguém capaz de rir da sua própria enfermidade emocional.

Por muitos anos eu relutei em escrever sobre esse álbum. E talvez muitas coisas que eu escrevi aqui não possam fazer sentido, mas é muito difícil você querer convencer com palavras o que está em seu coração de forma tão explosiva e visceral.

Escrever sobre seus próprios sentimentos é como querer fazer ligações entre pontos que você não sabe muito bem a sua real posição, mas você é capaz de senti-los porque eles fazem um estrago enorme no seu interior, no âmago de um amor silenciado, abafado, mas nunca negligenciado.

Jagged Little Pill não é um álbum sobre incertezas. Eu preciso criar aqui uma atmosfera para finalizar essa resenha e talvez nada mais justo do que dizer que Jagged Little Pill é um discurso em busca de ligação, em busca de fuga, em busca, verdadeiramente, de ser capaz de olhar para dentro de si e protestar, reivindicar atitudes e encontrar feridas tão graves que ainda seja necessário investigar quem as causou.

Tudo isso sem se esquivar de auto-responsabilidade, afinal, Jagged Little Pill não é sobre vitimização, é mais sobre protagonismo da própria dor, de ser ícone da autoanálise, como uma espécie de terapia discursiva orientada para o desapontamento como ponto de partida, nunca como o ponto final.

Esse é um disco que define e refina a minha vida, todo o meu ser, tudo o que eu penso e vi em 31 anos de vida. E, eu morreria miseravelmente se eu não fizesse um correlação final e pessoal desse álbum com a minha vida.

Eu não sei onde ele está e isso realmente importa. Importa porque tudo continua vivo, tudo continua à espera, tudo continua não resolvido, tudo continua respirando quando deveria estar morto. E, morrer aqui deve ser entendido como uma necessidade de ser digerido a tal ponto que não reste mais nenhum indício de dúvida, de mistério, de raiva, de rancor, de desilusão.

Jagged Little Pill é a paz que acalma a minha guerra existencial. É a voz que alcança o status que a minha voz tem medo de alcançar. E eu não estou falando aqui sobre soar verdadeiro, estou falando sobre reciprocidade, sobre tom de voz, sobre atos confessionais que exigem trocas, exigem um telespectador que conhece o perigo do desprezo, da indiferença, do abandono, da solidão.

Nunca pensei que a minha vida se resumiria em um amor perdido. Nunca pensei que a minha vida se transformasse em uma luta constante por reconciliação.

Eu aprendi sobre perdão, respeito e empatia, mas tudo isso não foi fundamentalmente importante para conciliar o gigantesco abismo pelo qual eu sobrevoei ao longo desses anos. Talvez o que eu mais quisesse da vida fosse viver uma “Head Over Feet” com ele e somente com ele. Mas, o Universo tem as suas leis e por mais que eu seja um bom entendedor de leis, eu não consegui até o momento ser quem eu queria ser, porque isso não depende só de mim, e talvez por isso “Mary Jane” ainda seja tão apropriada na minha vida. Mary Jane é sobre conseguir respirar quando sua respiração está acelerada, ofegante. Mary Jane é sobre perceber que você nunca banalizou o amor, mas isso não é suficiente para estabelecer os papéis e definir os culpados. Mary Jane é sobre auto-percepção, sobre olhar para dentro com um olhar de profundo apaixonado. É sobre chorar e jamais dizer que você está exausto do amor, em todas as suas dimensões. Mary Jane é sobre uma busca inconstante da felicidade, mesmo que você esteja no chão totalmente despedaçado. Mary Jane não é sobre dar a volta por cima, é mais sobre não ir para baixo, permanecendo em um círculo minimamente seguro e emocionalmente aceitável.

Com 31 anos já não me cobro tanto, a ponto de Perfect ser a minha principal trilha sonora. Mas, no passado isso foi arriscadamente perturbador. Só quem ama fora dos padrões é capaz de entender o que eu me refiro. Apaixonar-se em vão é como pular em um oceano e os seus poucos minutos de vida serem reservados para você fazer um balanço poético de toda a sua situação, dos reais motivos que te levaram a pular e estar ali.

Eu senti que esse era o momento ideal para escrever sobre esse álbum tão decisivo na minha vida. Porque apesar do meu nível de discernimento emocional, eu sinto que ainda falta um diálogo a ser desenvolvido com o meu principal interlocutor. E, não é um diálogo para exigir, é mais para pacificar e direcionar.

Por fim, tenho que confessar que eu nunca vi o amor como algo trivial. Ele é o que me sustenta, o que me conforta e o que me faz lutar para encaixar as peças do grande quebra-cabeça da vida.

E eu só vou parar quando o ciclo não linear se encerrar.

Nota cappuccino Pop: 10,0.

Top cappuccino: 20 discos internacionais de 2019

#20 Duck – Kaiser Chiefs

Duck - Kaiser Chiefs

Duck é um ótimo disco para abertura dessa singela lista de melhores discos do ano. Equilibrado sem ser pequeno. Agitado sem ser tão alegre. Remete a década de 2000, mas sem apego. Um disco que flerta com o indie-rock e encontra o seu território sem grande alarde. É como dirigir um carro em uma longa estrada deserta sem se preocupar com o que ficou para trás e o que virá pela frente. Atenção especial para as faixas: The only ones, target market, people know how to love one another,  lucky shirt.

#19 You’re Stronger Than You Know – James Morrison

You're Stronger Than You Know - James Morrison

Um álbum para continuar acreditando no amor. Para respirar entre espaços e quando eles não existirem você sentirá o seu poder de se libertar e criá-los. Um disco sobre poder, romance, confissões de um amor sendo tema central o tempo todo. Especial atenção para Glorious, Feels Like The First Time, So Beatiful, Brighter Kind of Love e Until The Stars Go Out.

#18 Taller – Jamie Cullum

Taller - Jamie Cullum

Ás vezes eu sinto que um amor não correspondido soa como um disco de Jazz.  E, em 2019 eu não poderia fechar essa lista sem mencionar o ótimo trabalho do cantor Jamie Cullum em Taller. Um disco de Jazz na voz irresistível de Cullum fez 2019 soar como um amor não correspondido, mas em todo o canto brotam expectativas, expectativa de melhorar, de crescer, de libertar, de entender e se entender e se aceitar.  Especial atenção para Taller, Life is Grey, The Age of Anxiety, For the love, Drink, You Can’t Hide away from love.

#17 Once Upon A Mind – James Blunt

Once Upon A Mind - James Blunt

Monsters, Cold, The Truth fazem de Once Upon A Mind um dos grandes álbuns de 2019.

#16 Courage – Céline Dion

Courage - Céline Dion

Com uma sonoridade muito diferente de Encore un soir ( um dos meus discos favoritos de todos os tempos), Céline Dion nos apresenta o inspirador Courage. As faixas que me chamaram mais atenção foram: Flying on my own, Falling in Love Again e The Hard Way.

#15 i,i – Bon Iver

i,i - Bon Iver

2019 foi um ano irregular, instável, às avessas, não linear, não previsível. E, todas essas características me fizeram buscar sonoridades que me possibilitassem entender o que estava acontecendo ao meu redor e porque acontecia dessa forma. “i,i” do Bon Iver foi uma dessas sonoridades que me vieram e me confortaram, me fizeram manter o pé no chão, respirar fundo e escrever quando o pesar se tornasse (quase) insuportável.

#14 Doom Days – Bastille

Doom Days - Bastille

A Atmosfera notura de Doom Day representa anseios da nossa geração. De escapismo a um “caos turbulento e emocionante”. Sem ser tão depressivo, Doom Day consegue ter lapsos de loucura, como uma exitosa tentativa de dizer que a vida é um misto de sentimentos, sensações, emoções e toda essa atmosfera é fielmente cantada, representada pela banda Bastille.

#13 Hyperspace – Beck

Hyperspace - Beck

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todo lançamento do Beck é motivo de muita expectativa, afinal, ele é, para mim, um dos grandes nomes da música de nossos tempos. Meu álbum favorito dele, de longe é “Sea Change”. Mas, em “Hyperspace” Beck nos entrega um excelente trabalho, com destaque para Die Waiting, Chemical, Stratosphere, Dark Places e Everlasting Nothing.

#12 So That You Might Hear Me – Bear’s Den

So That You Might Hear Me - Bear's Den

“So That You Might Hear Me” foi um álbum essencial para 2019.Um disco que flerta sobre lutas existenciais e sobre como é difícil entender o temporário, como é difícil lidar com nossos sentimentos, emoções, como é difícil nos ver como seres humanos, como é difícil  perceber a nossa passagem por aqui, sem nos afogar, nos aprisionar, nos sabotar.

#11 Cuz I Love You – Lizzo

Cuz I Love You - Lizzo

Possivelmente, esse é o álbum do ano para a crítica especializada, sendo um dos preferidos para ganhar o Grammy. O disco é bom, honesto, divertido e necessário. No entanto, o critério que esse autor utiliza para posicionar os discos na lista de melhores do ano não é a quantidade de indicações para o Grammy, mas sim o nível de profundidade que o álbum consegue transmitir e se conectar comigo, com meus sentimentos e com minhas aflições. Cuz I Love You é um disco que não entrará para a década, mas merece ser trilha sonora, para dançar, para converter tensão em tesão de ser e estar feliz.

#10 85 to Africa – Jidenna

85 to Africa - Jidenna

Por que eu colocaria um disco de rap numa lista de melhores discos do ano? Porque 85 to Africa é um disco extraordinário. Não é só sobre representatividade. É sobre dar voz a quem tem todo o direito de ter voz.  É sobre olhar para o outro e perceber que a livre manifestação e expressão de seus sentimentos é uma temática recorrente. É sobre dizer que a vida não é um disco de pop-rock cantado por um artista branco. A vida é tudo o que podemos ser, sem hierarquia, sem censura.

#09 Cause And Effect – Keane

Cause And Effect - Keane

“Cause And Effect” é um álbum ambivalente, com grandes temas humanos sendo retratados de forma madura e harmônica.

#08 Lover – Taylor Swift

Lover Taylor Swift

2019 foi o ano em que eu resolvi dar uma chance para a Taylor Swift no meu spotify. Apesar de não ser um grande fã da cantora, é inegável que Lover é um disco com ótimas composições, bem produzido e o melhor: aborda relações humanas de forma jovial, solar, às vezes alegre, às vezes triste, mas, no fundo, o sofrer por amor em Taylor Swift é como um convite para dançar em cima da sua própria tristeza.

#07 Lost Girls – Bat For Lashes

Lost Girls - Bat For Lashes

Com uma estética sonora vinda dos anos 1980, Lost Girls fala com dignidade sobre o sagrado feminino, o que não quer dizer que seja um disco para meninas. Esse é um disco que nos convida a fazer um grande mergulho interior, no nosso subconsciente, a fonte maior de todas as nossas conquistas, emoções e superação.

 

#06 Don’t Feed The Pop Monster – Broods

Don't Feed The Pop Monster - Broods 2

Um disco grandioso do ponto de vista de representar nossas emoções, especificamente as emoções que predominaram o ano de 2019. Especial atenção para Too Proud, Suker, To Belong, Hospitalized.

#05 Assume Form – James Blake

Assume Form - James Blake

Eu considero o James Blake como o maior Sad Boy de nossa geração e Assume Former está aí para não me deixar mentir. Blake fala abertamente, e com louvor, sobre sentimentos masculinos, que giram em torno de fraquezas e sentimentos estritamente emocionais.

#04 Without Fear – Dermot Kennedy

Without Fear - Dermot Kennedy

“An Evening I Will Not Forget” soa algo como “eu nunca vou esquecer da esquizofrenia de 2019”. já próximo do fim da minha lista de melhores do ano, eu só tenho que dizer que Dermot Kennedy foi o artista que eu mais escutei esse ano, considerando os que lançaram álbuns em 2019. Com voz marcante, o disco do Dermot, que é o seu debut poderia ser facilmente indicado como o melhor disco do ano, mas não para 2019, por esse ter sido um ano peculiar para mim e acredito que para muitas pessoas de todos os quatro cantos do mundo. A minha não indicação de “Without Fear” como melhor disco do ano é simples: 2019 foi um ano para queimar, deixar morrer sem se esquecer de todo o seu poder destrutivo, e o álbum do Dermot Kennedy parece trilhar um caminho ao contrário. Romântico, nostálgico e belo, um disco para dias azuis, um disco para flertar quando você está por cima e sob o controle. Sinto muito não poder colocar esse disco, ao menos nessa lista, como o melhor disco do ano, mas Without Fear  conseguiu muito bem construir a sua história que transpassa o ano corrente. Esse é um disco para representar a nossa década, no seu lado mais positivo, brilhante e confortador. Muito obrigado Dermot Keneddy por Power Of Me, What Have I Done, Lost, Outnumbered e An Evening I Will Not Forget.

#03 Everyday Life – Coldplay

Everyday Life - Coldplay

Sunrise deu o tom para o ano de 2019 sem dizer uma palavra, e não foi preciso. Falando sobre temas como feridas, cura, problemas emocionais, sobre se aproximar do oceano com o grande desafio de não se afogar. Everyday Life é mais do que essas minhas palavras limitadas e vazias. É um disco sobre tomada de consciência, sobre expansão, sobre expressar o seu senso crítico, muito embora haja um ar de desequilíbrio lutando em busca de algo, em busca de usar a empatia como uma ponte para atravessar e se transformar.

#02 A Pill For Loneliness – City and Colour

A Pill For Loneliness - City and Colour

Decide what should stay and what should go“. Essa pode ter sido o melhor aprendizado que eu tive em 2019, um ano tão problemático, tão desafiador, tão intimista, tão exponencialmente emocional.

No disco do City and Colour somos convidados a mergulhar em um oceano de introspecção, como uma grande oportunidade de aprender. Aprender a ver a nossa explosão de emoções, a enxergar por dentro, e se chorar for preciso, que seja para lavar e deixar escorrer. A Pill For Loneliness é sobre é sobre se identificar e se salvar porque as nossas emoções nunca estão sobre o nosso controle. Quem está aqui nesse planeta é para ser astronauta, e o medo é apenas um modo de transgredir a nossa capacidade de explorar o nosso mundo. E, aí entra “Astronaut” uma das faixas que mais me definem nesse momento, nesse ano tão emblemático, tão desafiador, tão convidativo para sair da zona do conforto sem levar em conta a minha vontade. Como eu disse, um oceano pode guardar muito mais do que uma coleção de sentimentos escuros. Um oceano guarda vida, mar, e todo um movimento que flerta presente, passado e futuro, como num único instante.

Eu poderia e deveria colocar A Pill For Loneliness como o melhor disco de 2019, como um dos melhores discos da minha vida. Mas, aí eu teria que confessar mais do que eu queria, e essa história de confissões me deixa assustado e talvez eu não esteja pronto para lidar com a ideia de perder o controle, de me perder em meio a um oceano de introspecção.

Eu sei que “This mess I have made will not fade way“, mas 2019 me mostrou que tudo se resume ou se encerra em uma questão de perspectiva.

Eu também sei que isso é apenas uma lista de melhores discos do ano, na singela opinião de um homem ferido, não convidado, um homem que não consegue se olhar no espelho da vida e reconhecer que precisa chorar uma noite inteira ou quantas forem necessárias para se libertar desse sofrimento, desse amor que o desconstrói  e o deixa em uma grande bifurcação à espera de uma tomada de decisão.

#01 Norman Fucking Rockwell! – Lana Dey Rey

Norman Fucking Rockwell! - Lana Dey Rey

Tristeza, dor, não conseguir fugir, ser obrigado a tomar decisões enquanto você está mergulhado solitariamente em um oceano, nadar em meio às suas próprias lágrimas, não saber quando vem o momento para colocar um ponto final, entender que você não é vítima, mas há uma tristeza contextual em chamas, não ser capaz de se absorver e sorrir, ter medo de se perder para sempre, quando sentir se torna algo tão complexo que você sente medo, medo desmedido, medo de você dar um passo e sentir o inferno, ou medo de você pedir por ajuda e não ser atendido, medo da solidão te escrever uma carta fazendo críticas sobre o que você tem feito da sua vida, medo de morrer sozinho e cheio de amor emoldurado em uma caixa de papel lutando contra o poder do oceano, e respirar se tornou uma válvula de espace instável e desconhecida, o que me espera daqui pra frente? Há força suficiente para essa viagem? O silêncio não foi suficiente, todos os textos que eu te escrevi me fizeram me sentir cada vez mais como um grande merda, eu tive medo, diversas vezes, medo e tristeza andaram juntos, como velhos amigos de infância, e eu até ensaiei um discurso de amor improvisado, mas você não apareceu, e eu dancei sozinho por um instante, mas estava tão insuportável que eu convidei a minha tristeza para me acompanhar; dançamos juntos, me entorpeci, e esse escapismo foi provisoriamente um modo de esquecer que eu te quero tanto, e você é um destruidor de perspectivas, e você também não se importa, afogar para você é uma diversão, um modo etéreo de me levar para baixo e me responsabilizar por tudo, e mais uma vez veio a necessidade de colocar pontos finais, mas eu não estava pronto, e eu senti no meu corpo a sua falta, eu me violei, eu me arrisquei ao embarcar em uma viagem desconhecida, eu fui tudo  e tanto em tão pouco tempo que eu tive que lutar contra a minha própria loucura, contra a minha capacidade de renunciar além do que eu deveria. Eis que eu uso um ponto final, mas é mais para ganhar fôlego do que para receber o controle da situação. Eu afundei, eu perdi a minha respiração, eu quis fingir, eu quis distanciar, abafar para não crescer, mas o vão que corria sobre mim me levava para você, para o seu mundo infernalmente construído e feliz. Eu nunca quis ser egoísta, eu só queria me entender e conquistar o meu lugar. Eu só queria ser um homem sob o controle e não controlado. Eu só queria parar de escrever quando eu começasse a chorar e percebesse que o meu choro está perdido entre a cadência do nosso distanciamento e seu tom de voz, que insiste em fazer barulho aqui dentro.

Que tristeza foi esse 2019, que solidão não convidada! Eu deveria te escrever uma carta e postá-la nos correios numa segunda-feira chuvosa e melancólica. Eu deveria ser menos filho da puta, eu deveria parar de desejar dialogar com você em meu apartamento, porque querer ser palco com você é um grande suicídio, lento e indelicado.

Eu poderia discorrer hipoteticamente sobre o nosso beijo acidental, sobre as nossas limitações, sobre a sua vida perfeita e a minha vida vazia, mas ser poeta de solidão  é como dançar sem som, apenas com a percepção do chão me confundindo, me destruindo e me transformando em um grande astronauta perdido no seu sétimo planeta de um sistema dolorido e embalado por uma pequena canção de ninar.

Eu estou machucado demais para ser coerente e toda essa dor é um adorno para festejar esses 13 anos de solidão, prontos para desaguar no oceano, porque eu não quero terminar no mar.

 

Fogueira Em Alto Mar é, então, essa dualidade que o ser humano carrega dentro de si. Há uma vontade de ir e queimar, mas também há um medo da imensidão, da intensidade do frio, da potência da não reciprocidade.

Escrever sobre um trabalho de um artista envolve uma mútua e verdadeira troca de sentimentos. De um lado há alguém doando arte, alguém que argumenta, de alguma forma, para convencer nossos sentimentos. É um claro convite para que possamos nos abrir para o tempo e a sabedoria. E, quando aceitamos esse caminho, inexoravelmente trilharemos o nosso caminho de evolução.

Evoluir é um caminho sem volta. É ter a certeza de que a involução não é mais a condutora da nossa própria vida.
Essas divagações iniciais são necessárias para quem faz do amor o grande e único tema central de sua vida.
Com o tempo eu percebi que ele, o amor, é palco e nós somos plateia, e ser plateia só tem sentido quando somos capazes de desabafar sem nos perder, sem esvaziar a essência primeira do que somos.

E é muito complexo falar de não se perder quando não há reciprocidade emocional.
Aliás, o tempo e a sabedoria são os meus fortes aliados e eles me permitem afirmar que o amor, sempre o amor, é o combustível de toda a vida, mesmo sem reciprocidade, mesmo que você projete no outro mais do que ele é capaz de te doar.

A falta de reciprocidade nos faz idealizar sem limites, não no sentido absurdo do conceito, mas no sentido poético, racional, mas extremamente poético.
Eu quis divagar essas pequenas reflexões sobre a vida para dizer que tudo bem se o seu amor é unilateral. Tudo bem se você ama alguém incapaz de te notar, de te abraçar, de chorar com você enquanto você o sente nos teus braços. Tudo bem se você ama alguém sem reciprocidade. A grande sacada da vida é perceber e entender o amor como o sentimento mais nobre que existe entre nós. Amar purifica, amar liga, amar conecta, amar é a nossa grande e preciosa chance de sermos essência, aquilo que somos, aquilo que nós fomos ordenados para ser aqui e agora, porque se estamos aqui é porque precisamos estar aqui.

Devaneios existenciais à parte, peço licença para traçar alguns comentários extremamente pessoais sobre o novo disco da cantora Ana Carolina, intitulado “Fogueira Em Alto Mar”.

Fogueira em Alto Mar
Já no título é possível mergulhar em uma efervescência emocional que se parece duelar entre extremos psicológicos. O ouvinte tem a percepção de guerras emocionais, de conflitos, de uma grande luta de alguém que precisa se salvar de uma patente falta, falta de reciprocidade.

Fogueira é quente, é estável, é chama, é calor, é impulso, é atitude, é um olhar reverberado do interno para o externo, sem ponderações, de forma bem intuitiva e muito arriscada.
Alto Mar é movimento, é onda, é frio, misterioso, porém com possibilidades, com caminhos prestes a se tornar conhecido, porém com um “quê” de mistério e perigo.

Fogueira Em Alto Mar é, então, essa dualidade que o ser humano carrega dentro de si. Há uma vontade de ir e queimar, mas também há um medo da imensidão, da intensidade do frio, da potência da não reciprocidade.
Embora essa dualidade seja latente, há uma voz consciente e coerente com a sua história, com o seu nível de evolução emocional.

É que a exposição dessa dualidade pressupõe, ao menos no disco em análise, e ainda que não de forma absoluta um alto senso de equilíbrio, de “selflove“.
Fogueira Em Alto Mar faz um louvável balanço poético sem se perder, sem desmedida, ainda que exista carências afetivas abertas. A verdade é que, embora haja sentimentos emergenciais implorando por falas, o novo disco da Ana sabe ser coerente no seu discurso. A cantora mineira acertou ao apostar em um disco que inspira com a sua força emocional, com o seu nível de maturidade que flerta quase que todo o tempo com uma nostalgia de alguém que ainda é importante, alguém que assumiu uma posição de ser único, de ser brilhantemente o grande amor para quem toda a mensagem do disco é direcionada.

Ana Carolina

Fogueira Em Alto Mar começa com a balada radiofônica “Não Tem No Mapa”. Com refrão fácil, a faixa dá o tom de abertura do disco. Há uma falta, há um diálogo não terminado. Há devaneios de alguém que precisa trilhar caminhos e essa necessidade reverbera na próxima faixa intitulada “Fogueira em Alto Mar”.

Nessa segunda canção, a cantora Ana Carolina mostra o ponto central do disco. Com letra sofisticada, sem o refrão fácil da faixa anterior, há aqui um voz consciente da potência do seu amor e a ausência da reciprocidade não é problema, é solução ou solucionável. Isso é notável quando Ana diz “Eu vou te achar / nem que eu acenda uma fogueira em alto mar“. Claramente há um voz empoderada, no sentido de que a falta de um amor é o ponto de partida para caminhos otimistas e mesmo bem sucedido.

A seguir temos a faixa “O Tempo Se Transforma em Memória”, outra balada romântica que se conecta com a mensagem proposta pelo álbum.
Rompendo com a linha emocional das três primeiras canções, Ana Carolina apresenta a música “Da Vila Vintém Ao Fim do Mundo”, samba que tem os vocais da cantora Elza Soares. Particularmente, achei a música alheia à mensagem do disco. Aliás, é importante ressaltar que essa faixa não valoriza a voz da Elza Soares, uma das maiores vozes da música brasileira, que nessa canção não faz nada além de um “back-vocal” da Ana Carolina.
O disco continua com a música “1296 Mulheres” uma faixa absolutamente desnecessária no álbum e me causa espanto que a cantora Ana Carolina, com mais de 20 anos de carreira, tenha gravado uma música tão trivial como essa.

Se a ideia fosse mostrar uma música empoderada, a Ana esqueceu completamente da sua trajetória musical, da qual ela já fez excelentes canções com esse fim como “Eu Comi A Madonna”, “Homens e Mulheres” e “8 Estórias”.
“1296 Mulheres” é uma balada boba, para quem está começando a carreira, não para uma cantora do calibre da Ana Carolina.
Apesar do disco ter sido bem sucedido nas três primeiras faixas e ter se perdido completamente nos dois sambas seguintes, Ana parece retomar a razão e nos brinda com a linda “Canção Antiga”. Uma canção-desabafo. Um necessidade de silenciar-se sem contudo se involuir. É aqui que o discurso do álbum se reconecta novamente e leva o ouvinte a um seguro momento de reflexão, de reforma íntima, de auto-conhecimento. Há uma voz que reconhece as suas incertezas, mas não se deixa cair por causa delas. Um amor do passado, uma história não acabada, um discurso incompleto, um semi-vazio que pulsa, uma necessidade de voltar e recomeçar, recomeçar pelos erros, pela capacidade de ouvir e entender o outro, uma necessidade e uma possibilidade de reconciliação. Pra mim, é o momento mais alto do álbum.

Em seguida Ana Carolina nos apresenta a faixa “Tudo e Mais Um Pouco” outra balada romântica muito coerente com a proposta do álbum. “Dias Roubados”, retorna ao discurso iniciado em “Canção Antiga” e Ana Carolina mostra porque ela é, sem dúvida, uma das maiores cantores do Brasil das últimas décadas.
“Outra Vez Você” também merece atenção do ouvinte. Uma balada romântica que não foge de suas responsabilidades perante o disco.

Já em “Com Vista Para Amar” a Ana aposta em uma balada pop romântica, o que dá maior frescor ao álbum e o qualifica como um álbum contemporâneo e pelo menos aqui, solar.
A última faixa do disco, uma regravação, Ana aposta em “O Que É Que Há” para selar com chave de ouro a breve, mas lúcida mensagem do disco.

Fogueira Em Alto Mar é um disco coerente, com alguns erros em duas faixas, mas no geral é um disco mediano.
Aliás, o novo trabalho da cantora recupera a imagem da Ana Carolina, após o lançamento do estranho #AC.

Avaliação Cappuccino: Nota: 8.0.

Top cappuccino: 20 discos nacionais de 2017

Eis abaixo a minha lista pessoal com os melhores discos nacionais de 2017. Divirtam-se!

#20 Gaya – Tiê

Gaya

Ainda que “Gaya” tenha uma atmosfera diametralmente oposta ao aclamado “Sweet Jardim”, a cantora Tiê mostrou um álbum, no mínimo, mediano.

#19 Japanese Food – Giovani Cidreira

Japanese Food

Queridinho em diversas listas de melhores listas de discos de 2017, “Japanese Food” é uma pedida obrigatória para quem gosta de música de qualidade e com  originalidade.

#18 Ottomatopeia – Otto

Ottomatopeia

Com uma sonoridade típicamente da nova geração da música brasileira, Ottomatopeia nos remete ao som de artistas como Karina Buhr. Ottomatopeia é um dos discos
alternativos que mais me chamou atenção em 2017.

#17 Adiante – Nevilton

Adiante

“Adiante” é uma das minhas grandes descobertas de 2017. Um disco que me lembra Thiago Pethit, porém, mais explosivo em termos sonoros.

#16 Roteiro para Aïnouz, Vol. 3 – Don L

 

donl

Don L é um dos principais representantes da música rap do nosso país e Roteiro para Aïnouz, Vol. 3 não me deixa mentir.

#15 Heresia – Djonga

Heresia

Pra quem curte o som de Kendrick Lamar, “Heresia” segue a mesma linha do potente DAMN. Heresia é original e de longe um dos melhores registros de 2017.

#14 Tijolo por Tijolo – Braza

Tijolo por tijolo

Meio blasé, meio psicodélico, “Tijolo por Tijolo” é envolvente, versátil e coerente do início ao fim.

#13 Unlikely – Far From Alaska

Unlikely

O Rock Nacional também teve o seu momento de destaque em 2017. E, para representá-lo nada melhor do que o “Unlikely”.

#12 Meio Que Tudo É Um – Apanhador Só

Meio Que Tudo É Um

Apanhador Só é uma das melhores bandas alternativas do nosso país. “Meio Que Tudo É Um” segue o estilo agradável da banda e não decepciona em nenhuma faixa.

#11 Campos Neutrais – Vitor Ramil

Campos Neutrais

Tudo que Vitor Ramil faz se torna mágico, visceral. “Campos Neutrais” mostra porque Vitor Ramil é um dos meus cantores brasileiros preferidos de todos os tempos.

#10 Outro Lugar – Tetê Espíndola

Outro Lugar

“Outro Lugar” é boêmio, quase amargo. No fundo, ele é um um álbum que relata um “eu” em busca do seu lugar no sol.

#09 Selvagem – Angela Ro Ro

Selvagem

Angela Ro Ro dispensa apresentações. Com mais de 30 anos de carreira e acumulando diversos hits de sucesso, ela lançou o delicoso “Selvagem”. Um disco para se
comunicar do inicio ao fim.

#08 Sintoma – Castello Branco

Sintoma

Minimalista, introspectivo, experimental, “Sintoma” mostra o potencial criativo do cantor Castello Branco.

#07 Catto – Filipe Catto

Catto

Acompanho o trabalho do Filipe Catto desde o disco “Fôlego”. De lá até aqui Filipe lançou três discos de estúdio. Catto é um álbum que mostra todo o talento do Filipe
e mostra que ele é o dono de uma das maiores vozes da MPB da sua geração.

#06 Beijo Estranho – Vanguart

Beijo Estranho

Ainda que Beijo Estranho tenha uma sonoridade diferente do aclamado Muito Mais Que o Amor, a banda Vanguart conseguiu consquistar o seu público com um disco
inteligente e autêntico.

#05 Em Noite de Climão – Letrux

Em Noite de Climão

Bucólico, alternativo, irreverente, dançante, “Em Noite de Climão” é um disco potente e digno para figurar em qualquer lista de melhores discos nacionais de 2017.

#04 Recomeçar – Tim Bernardes

Recomeçar

As confissões de Tim Bernardes em “Recomeçar” soaram como um grande pedido pra gente analisar a nossa própria desordem.

#03 Todas As Bandeiras – Maglore

todas as bandeiras

“Todas As Bandeiras é um disco de amor-alto-astral. Solar, sem ser descompromissado, o disco da banda Maglore é, na verdade, um ato de expressão, no seu maior alcance
possível.

#02 Galanga Livre – Rincon Sapiência

Galanga Livre

Galanga Livre é um disco que busca conectar elementos da história política do Brasil no presente e passado.

#01  Utopia – Thalles Cabral

utopia

O disco de estreia do Thalles poderia ser definido como um misto de devaneios de uma personalidade consciente da sua própria voz. Mais do que isso. Utopia não parte de
um vazio existencial, mas há algo que precisa ser preenchido e de forma não emergencial. Utopia é um retrato fiel de uma geração capaz de expressar sentimentos sob uma
ótica argumentativa, negando, ainda que involuntariamente, qualquer perspectiva de sofrimento doentio. Thalles coloca o amor entre extremos quase infinitos, como na
ótima “You, the Ocean and Me”. Talvez o amor não seja o ponto de partida desse disco. Ousaria a dizer, em uma interpretação extremamente pessoal, que Utopia parte da
capacidade de se fazer projeções filosóficas e coerentes para entender a vida como um ato impermanente e desconhecido. Daí, a atmosfera utópica do álbum. Utopia é, sem  dúvidas, um álbum para reflexão, para direção, para estabelecer conexões.

 

Top cappuccino: 20 discos internacionais de 2017

2017 foi um ano em que a música (mais uma vez) foi a minha principal arma em busca de um ponto zero de consciência emocional. Não foi um ano difícil e nem estranho Mas, ainda falta.

Eis abaixo a minha lista pessoal para os melhores discos de 2017. Enjoy it!

#20 Utopia – Björk

UTOPIA

Utopia é um disco difícil de ser entendido e aceito. E, pela sua dificuldade de compreensão (ou talvez do ouvinte), eu o considero como um dos discos mais arriscados do ano.

#19 Sacred Hearts Club – Foster the People

Sacred Hearts Club

Foster the People apareceu esse ano com o Sacred Hearts Club. Um disco cute e solar.

#18 Aromanticism – Moses Sumney

Aromanticism

Fechar uma lista de melhores álbuns de 2017 sem Aromanticism seria uma tremenda injustiça. Um disco que nos remete ao incrível Frank Ocean com seu Orange Channel.

#17 No Shape – Perfurme Genius

No Shape

No Shape é um disco pop que se encontra em melancolias e fragilidades emocionais envolventes.

#16 Wonderful Wonderful – The Killers

Wonderful Wonderful

Wonderful Wonderful mostra novos tons da banda The Killers. Temos ótimas canções como Some Kind Of Love.

#15 Poor David’s Almanack – David Rawlings

Poor David_s Almanack

Para os amantes de música folk, Poor David’s Almanack é um dos melhores discos de 2017.

#14 Sleep Well Beast – The National

Sleep Well Beast

Sleep Well Beast é para ouvir do início ao fim. Um dos discos que fizeram a diferença em 2017.

#13 Turn Out The Lights – Julien Baker

Turn Out The Lights

Turn Out The Lights é uma mistura de Florence e Lana Del Rey, sem perder a sua autenticidade. É, para mim, um dos grandes representantes da música indie.

#12 Masseduction – St. Vincent

Masseduction

Masseduction é sensual, dançante e encantador.

#11 Pleasure – Feist
20 Pleasure

Embora não seja tão bom quanto o fantástico The Reminder, Pleasure é um disco coerente e ótimo para dias aleatórios.

#10 Freedom Child – The Script

Freedom Child

Freedom Child é um disco noturno e muito bem enquadrado no estilo da banda.

#09 Something To Tell You – HAIM

Something To Tell You

Something To Tell You é um dos discos alternativos mais cool de 2017.

#08 Songs Of Experience – U2

Songs Of Experience

U2 nos mostrou com Songs Of Experience que eles ainda continuam sendo uma banda relevante e que eles tem muito o que nos mostrar.

#07 Everything Now – Arcade Fire

Everything Now

Everything Now é um disco vibrante, feito para mesclar todas as suas emoções de uma única só vez.

#06 As You Were – Liam Gallagher

As You Were

Liam Gallagher nos trouxe um ótimo trabalho solo. É um disco que você não pode deixar de ouvir.

#05 Beautiful Trauma – P!nk

Beautiful Trauma

Beautiful Trauma é um disco sobre o amor, essencialmente sobre possibilidades. P!nk não decepcionou nesse disco.

#04 ÷ – Ed Sheeran

÷

÷ é romântico, pop e irresistível.

#03 Melodrama – Lorde

Melodrama

David Bowie estava certo quando disse que Lorde seria o futuro da música. Melodrama é, para mim, a trilha sonora perfeita para 2017.

#02 Damn – Kendrick Lamar

Damn

Damm é potente do início ao fim. Um disco para ficar na história.

#01 American Teen – Khalid

American Teen

Khalid fez um dos melhores debut de 2017. Desde Frank Ocean com o seu Orange Channel não ouvi algo tão genuíno e atraente como American Teen.

Top cappuccino: 20 discos internacionais de 2016

Eu sempre vou acreditar que a língua não é uma barreira para quem precisa alcançar o seu conforto. Obrigado 2016!

#20 Wide Awake – Parachute

parachute
Parachute é um banda da década de 2000 que ainda vale a pena ouvir. Wide Awake é fruto do amadurecimento da banda, que aposta em letras e melodias sofisticadas.

#19 Oh My My – One Republic

onerepublic
Oh My My é um dos melhores registros da música pop. Um pop para dançar, se envolver, cantar, amar de uma forma menos dolorida.

#18 Strange Little Birds – Garbage

garbage
Strange Little Birds é um disco potente, a começar pela viciante “Sometimes”.

#17 Hopelessness – Anohni

anohni
Apostando em nova sonoridade, a cantora Anohni fez um disco memorável. Sem perder a pegada da era Antony and the Johnsons, o disco tem uma face interessante que vai de Lorde a Elliott Smith.

#16Paperweights – Roo Panes

roo-panes
Paperweights teve a árdua tarefa de suceder o potente “Little Giant”. Com certa margem de sucesso, Roo Panes conseguiu fazer um disco bom, mas emocionalmente menos carregado que o disco anterior.

#15 My Woman – Angel Olsen

angel
Com uma sonoridade às vezes intimista, às vezes pop-rock, My Woman é um disco que merece toda nossa atenção.

#14 Illuminate – Shawn Mendes

shawn
“Illuminate” aborda turbulências emocionais de uma forma quase que teórica. Shawn Mendes conseguiu fazer um disco no mínimo convincente. Aliás, já disse aqui, no meu post de melhores músicas internacionais do ano, que o cantor conseguiu nos provar que pode ser muito mais que um sexy cantor teen.

#13 Wrong Crowd – Tom Odell

tom
Transitando por um caminho mais comercial, Wrong Crowd mostra a versatilidade do cantor Tom Odell em fugir do folk triste para apostar no indie pop. Deu certo, só não posso dizer que tenha ficado melhor do que o aclamado Long Way Down.

#12 Schmilco – Wilco

wilco
Não poderia fechar a minha lista sem dizer para vocês escutarem Wilco. Schmilco é um disco que vale a pena escutar da primeira à última faixa.

#11 Young as the Morning Old as the Sea – Passenger

passenger
Passenger conseguiu fazer um ótimo sucessor para o brilhante Whispers II.

#10 This Is Acting – Sia

sia
This is Acting é assinado pela bem sucedida cantora e compositora Sia. Não dá pra falar muito sobre esse disco, o negócio é parar para ouvir e se arrepiar por completo em cada faixa.

#09 Red Earth & Pouring Rain – Bear’s Den

bears
Red Earth & Pouring Rain é um disco visceral e eu sei que eu deveria dizer algo menos previsível e menos repetível. Porém, essa é a palavra adequada.

#08 The Colour In Anything – James Blake

james-blake
The Colour in Anything é um disco intimista, mas não a ponto de ser um disco caótico. James Blake sabe até onde ir e ele foi muito bem nesse disco.

#07 Tell Me It’s Real – Seafret

seafret
Seafret é uma das grandes revelações de 2016. Tell Me it’s Real é um álbum para se apaixonar diariamente.

#06 Walls – Kings Of Leon

kings
Os meninos da banda Kings Of Leon fizeram um puta disco de rock. Wall é um disco que merece ser admirado sem limites.

#05 Back From The Edge – James Arthur

james
Um disco que flutua entre o pop, rock, folk. Back From The Edge é um disco bom, que representará muito bem o que de melhor tivemos em 2016.

#04 Blonde – Frank Ocean

frank
O segundo disco do cantor Frank Ocean não decepcionou os fãs. Blonde é marcante, seduz e te envolve fácil.

#03 A Moon Shaped Pool – Radiohead

radiohead
A Moon Shapped Pool é um disco coerente com a trajetória do grupo Radiohead. Um disco para você entender sobre o amor e outros temas com quem tem uma puta história registrada em discos.

#02 Blackstar – David Bowie

david
Por muito tempo, ao longo de 2016, eu encarei Blackstar como um disco problemático. Eu estava terrivelmente enganado. Blackstar é um disco complexo. Um disco sobre as veias humanas que escapam dos sentidos da grande média de pessoas. Bowie não fez um dos melhores discos do ano, Blackstar é histórico, disco da década.

#01 Encore Un Soir – Céline Dion

celine
Encore Un Soir é totalmente em francês. Mas, eu sempre vou acreditar que a língua não é uma barreira para quem precisa alcançar o seu conforto. Encore Un Soir veio para isso. Um disco para te confortar sem te cegar. Um disco inteligente e valente.

Top cappuccino: 20 músicas nacionais de 2016

A seguir, selecionamos as 20 melhores músicas nacionais de 2016.

#20 Assume Que Gosta – Matheus Brant

matheus-brant
“Assume Que Gosta” é um ótimo samba-eletrônico do cantor mineiro Matheus Brant. Pra quem curte a sonoridade do Seu Jorge vai perceber que essa faixa não decepciona.

#19 Poliamor – Barro

barro
O sotaque do Barro deixa “Poliamor” com um charme brasileiro irresistível. Pra quem curte Karina Buhr Poliamor vai soar como um vício certo.

#18 Cidadão Perdido – Romero Ferro

romero-ferro
Se você quer ouvir um artista completo, ouça Romero Ferro. Com o debut de estréia “Arsênico”, Romero Ferro já provou pra que veio. Difícil foi escolher uma música dele para figurarna lista melhores do ano. Cidadão Perdido é um bom começo.

#17 Quero Ir Pra a Bahia Com Você – Quarup

quarup
Com uma sonoridade dançante, “Quero Ir Pra Bahia Com Você” é uma das músicas lançadas em 2016 que não deveria ficar de fora de nenhuma lista de melhores músicas nacionais do ano.

#16 O Vento – Viratempo

viratempo
O Vento é daquelas canções que você  escuta para se sentir mais livre, menos inquieto, mais confiante na beleza do amor.

#15 Quiçá – Labaq

labaq
Quiçá é irresistivelmente linda, uma ótima trilha sonora para momentos introspectivos e incertos.

#14 Sorriso Besta – Jonathan Tadeu

jonathan-tadeu
Não poderia fechar essa lista sem citar “Sorriso Besta” do Jonathan Tadeu. Com uma atmosfera otimista, Jonathan aborda inseguranças de forma mais leve e coloca a exauta a importância de um sorriso em um relacionamento.

#13 Volta – O Terno

o-terno
Das bandas alternativas brasileiras que lançaram disco em 2016, O Terno é, sem dúvida, uma das  melhores. “Volta” é um dos pontos altos do disco da banda paulista.

#12 Canção e Silêncio – Zé Manoel, Ana Carolina

ana-carolina
A releitura de “Canção e Silêncio” pela cantora Ana Carolina é um dos momentos mais marcantes da música nacional. No estilo piano e voz, Ana Carolina gravou a melhor música dos últimos quatros anos de sua carreira.

#11 O Mundo Lá Fora – Rapha Oliveira

rapha-oliveira
Soando meio romântico, meio pop, A canção “O Mundo Lá Fora” te conquista do começo ao fim sem ter, contudo, te prometido nada.

#10 Uma Canção Pra Você – Jaqueta Amarela – As Bahias e a Cozinha Mineira

as-bahias
Com um ar meio decadencial, meio blasé, “Uma Canção Pra Você” é uma puta canção que tem o poder de nos acompanhar nos nossos momentos mais fossa de nossas vidas. Com um poder extraordinário de nos envolver por completo, “Uma Canção Pra Você” fez de 2016 um ótimo ano, ao menos musicalmente.

#09 Hit – Mahmundi

mahmundi
“Hit” é solar, é pop, é eletrônica, é Mahmundi. Pra quem curte o SILVA, vai se apaixonar por Hit.

#08 Amor Pixelado – Céu

ceu
Uma faixa que tem o amor como tema central e que abusa da leveza da sonoridade e da voz da cantora Céu. ‘Amor Pixelado’ é forte candidata a melhor faixa do ano.

#07 De Nós Dois – Mayam

mayam
Mayam é uma das grandes novidades de 2016. “De Nós Dois”, dueto com Maria Gadú é uma das faixas que fez 2016 valer a pena.

#06 Pensando Bem – Luiza Possi

luiza-possi
“Eu só queria dizer que eu tô aqui, eu tô aqui pra essas coisas”. Decididamente “Pensando Bem” é uma das melhores canções de 2016.

#05 Singular – Anavitória

anavitoria
Facilmente apontada como uma das grandes revelações do ano, Anavitória tem uma sonoridade indie-pop que conquista de imediato. “Singular” não me deixa estar errado.

#04 Sad Boys Club – Thalles Cabral

thalles-cabral
Prestes a lançar o seu primeiro disco, intitulado “Utopia”, Thalles Cabral mostra em “Sad Boys Club” uma tristeza cantada com toques de subversão. “Sad Boys Club” soa como um jogo consciente dos seus devaneios, mas abertamente livre para poder não se importar tanto. A questão é que a felicidade é tratada aqui como um sentimento que pode e deve ser mesclado com as nossas adversidades, e tudo fica mais cool se fizermos isso com um bom toque de sadismo. Welcome back to the sad boys club!

#03 Sexto Andar – Fresno

fresno
A banda Fresno não decepcionou os fãs ao lançar o disco “A Sinfonia de Tudo Que Há”. Com uma voz marcante, talvez no melhor momento da banda, “Sexto Andar” aborda solidão, inseguranças e um misto de sentimentos doloridos que 2016 nos trouxe.

#02 Noturna (Nada de Novo na Noite) – Silva, Marisa Monte

silva
Noturna é uma canção perfeita para tentar colocar em ordem a própria confusão existencial.

#01 Descolonizada – Larissa Luz

larissa-luz
“Descolonizada” é uma balada empoderada e perfeita para potencializar toda a raiva internalizada em você.