Tori Amos: A mulher que desafiou o mundo que tinha medo de vagina

 

 

Tori

Tori Amos surgiu pra desafiar o mundo. Ela trouxe a sensibilidade da mulher para algo muito além do que desempenhar o papel convencional de abrir as pernas para o sexo e para o resultado dele. A mulher em “Little Earthquakes” deixou de ser objeto para ser sujeito. Em Tori Amos temos uma regra universal: O amor importa e ele não é algo inerente aos sujeitos masculinos. Ter um pênis não significa ser o centro de discussões filosóficas. Tori promoveu uma abertura para o mundo que se viu obrigado a reconhecer o discurso de uma mulher que usava apenas a dor, a voz e o piano pra dizer ao mundo o que ela sentia e que o amor machuca.” Little Earthquakes” é grandioso, eu até penso que é maior que nossas capacidades de ceder e perdoar.
 
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Ele é um tributo aos nossos enganos acerca do que seja o amor. O sofrimento é um dor dilacerante e conciliá-lo com a possibilidade e com a crença de que a ingenuidade não prevalecerá é um desafio, desafio perverso, mas desafio. Tori Amos nos ensina (no presente, uma vez que sua obra atravessa gerações), nos remete á reflexões muitas vezes nada agradáveis. Há embates o tempo todo. Há vozes saindo por todo lado em busca de interlocutores. Há uma busca imperdoável por um único interlocutor; alguém que você entendeu ser sensível o suficiente para compartilhar necessidades de afeto com você. Engano o nosso em pensar que o amor é algo fácil. A ingenuidade está em todos os lugares, inclusive na cabeça daquele que você pensava ser a pessoa perfeita, mesmo sabendo que a perfeição é uma personagem coadjuvante do “amar intensamente”. Aliás, o pior estágio da ingenuidade é quando o silêncio se torna a única forma de comunicação entre você e o seu interlocutor. Mesmo não existindo amor entre vocês, ao menos bilateralmente, deveria haver sinceridade.
 
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Não dá pra exigir muito do amor e com o tempo e com o “Little Earthquakes” aprendemos que só com ele, com o tempo, nós conseguimos criar algumas máximas para nos proteger do que virá pela frente. Em outra oportunidade que eu tive o prazer de escrever sobre a Tori Amos eu disse algo mais ou menos assim: “Acho que escutar Tori Amos significa começar a ter coragem para ceder e reconhecer erros. Nunca é seguro ceder quando se fala em amor ou quando se pretendeu amar. Há que ceder quando tudo não passa de meras pretensões, pretensões tão idiotas quanto qualquer verdade nua e não aceita. Tenho certeza que Tori Amos veio para me resgatar. Aliás, seu disco da década de 1990 atravessou histórias e tempo para colocar um cara de 24 anos frente a frente com o seu “eu” solitário. Chega um momento na vida que temos que dar prioridades, e prioridades significa priorizar pessoas.” Cheguei a conclusão de que a vida precisa de prioridades. Aliás, seremos pessoas mais seguras quando prioridades forem uma questão de dignidade e não de medo. A seguir cinco canções do Little Earthquakes que você deveria conhecer:
 
01. Winter
02. Silent All These Years
03. Precious Things
04. Crucify
05. China
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