Man On A Tightrope: Phillip Long soube expressar sentimentos verdadeiros, sentimentos de um homem que analisa sua própria desilusão e está dividido entre confiar em absoluto no amor ou renunciá-lo.

 
Phillip+Long2
 
 

Talvez a melhor forma para começar a falar de “Man On A Tightrope” seja expondo a maneira com que ele influenciou minha vida ou mesmo, através de suas projeções um tanto quanto ilimitadas e por vezes solitárias acerca do amor. Conheci Man On A Tightrope por acaso, fruto da rapidez com que a internet lança novos nomes para o público e, de modo certeiro, a minha identificação foi imediata. O que o Phillip Long estava sentindo e deixando sair por sua voz, acompanhada por doloridos arranjos, era a dor que é pertencer a um submundo, marcado por angústias e por um sentir demais, que se não enlouquece, dilacera e exige expertise para sobreviver em meio ao caos chamado amor, amor de uma pessoa só. Phillip Long soube expressar sentimentos verdadeiros, sentimentos de um homem que analisa sua própria desilusão e está dividido entre confiar em absoluto no amor ou renunciá-lo. “Man On A Tightrope” é um álbum obrigatório para noites de insônia, justificadas por pessoas que entram em nossas vidas para enfeitar as nossas inseguranças quando nós mesmos não as dominamos.

Na verdade, nós nunca conseguimos domar nossas próprias inseguranças. “Man On A Tightrope” é um grito da alma, um pedido de reciprocidade, um ego lutando contra o caos, este, ora pessimista, ora otimista e de qualquer forma, uma luta intimista e visceral. “Man On A Tightrope”, que em tradução literal significa “Homem na corda bamba”, ecoa dentro de nós de forma que tudo pode parecer ter sentido, mesmo que o único sentido seja a ausência total de confiança no amor, nas nossas aventuras amorosas que insistem em querer ficar viva em nós. Man On A Tightrope é um desabafo sincero, uma obra prima em homenagem ao amor, da forma como ele é, ora conectado, ora imaturo e problemático.

Phillip Long é um mestre, um cara que surpreende pela sua sensibilidade de expressar o que queremos entender a qualquer custo.  O amor é confuso, o amor é utópico, o amor é uma constante guerra e paz. “Phill” não tem medo de se expor e sua exposição é tão delicada e compreensível que o que eu mais queria na vida era poder encontrá-lo, dar um abraço e agradecer por toda a grandeza de Man On A Tightrope.

Phillip Long - Man On A Tightrope (2011)

O álbum começa com a delicada “Don’t be silly”, uma canção carregada de amor, acima de todas as divergências existentes em um relacionamento. “Don’t be silly” desafia a nossa própria sanidade, a partir do momento em que passamos a amar alguém além de nossos limites emocionais. Em seguida, em Nothing Happens, Phillip Long mostra um “eu” que está mergulhado em um verdadeiro vazio existencial. Vazio alimentado por não ter caminhos, pessoas, amores, uma vida em comum para trocar palavras de “eu te amo”. Já na faixa que leva o nome do álbum, Man On A Tightrope, mostra um homem corrompido pelo amor, amor não correspondido. Talvez, essa seja a grande problemática da alma humana. O amor unilateral é covarde, é um amor fadado ao sofrimento, á mutilação do próprio ser.

Man On A Tightrope (a faixa) mostra um “eu” dividido entre razão e emoção, entre querer e não ter, entre o amor e a solidão, enfim, um “eu” marcado por polos inversos entre si. Em “Love is sacred”, Phillip Long é tomado por sentimentos otimistas e deixa soar, acompanhado pelo violão, uma voz confiante e firme, ao pronunciar que o amor é forte e não há razão nenhuma para temê-lo. Dando seguimento ao álbum, Phill nos apresenta a fantástica “So You Don’t Think Twice”. Uma faixa que mostra certo equilíbrio de alguém que analisa e tem domínio da situação. Alguém que aprendeu a não enfiar a cara na lama. “J’ai Besoin D’entendre” (título em francês), traz outra vertente de Phillip Long. Aqui, ele recua e mostra certo pessimismo, natural de toda relação afetiva em potencial. Muito mais do que isso, J’ai Besoin D’entendre mostra um “eu” que muito mais do que não acreditar mais no amor, se sente assustado e desconfortável com toda a situação. A faixa encerra com um trecho em francês em que Phill implora para ouvir o que ele realmente precisa ouvir.  A próxima faixa é “Sugar”, mostra o amor além de um sentimento, mostra o amor assumindo sua vertente erótica, o que me faz imediatamente a lembrar da levada de Damien Rice, quando o irlandês solta o verso “This is love, this is porn, na faixa I Remember.  Em tempo, o estilo do Phillip Long é parecido com o do Damien Rice e tem uma levada de folk irresistível.

“My captain”, antepenúltima faixa do álbum, pode ser vista como uma faixa plurissignificativa. Pra mim, ela traz um embate no fato de termos milhares de questionamentos, dilemas e o tempo não nos espera. Temos que agir, temos que priorizar, temos que criar caminhos e alinhar a nossa amplitude de pensar. Já na penúltima faixa do álbum temos “Lady Of The Cabaret”, Phillip nos mostra mais uma vez e com maestria que o eu poético pode ir além do amor, ele pode se subverter e se perder no erótico, sem ser vulgar, sem se tornar uma válvula de escape. Aqui, ele fala do sexo com amor, do sexo que busca amor e não apenas prazer. Para fechar o álbum, temos “Leticia”, uma canção que aborda o partir de uma pessoa que deixou algo para trás, algo que não quer se calar, algo que se prolonga como dias de chuva.

A seguir 5 canções do Man On A Tightrope que você precisa ouvir:

  1. Nothing Happens
  2. J’ai Besoin D’entendre
  3. Man On A Tightrope
  4. My Captain
  5. Don’t be Silly
Anúncios

Um comentário sobre “Man On A Tightrope: Phillip Long soube expressar sentimentos verdadeiros, sentimentos de um homem que analisa sua própria desilusão e está dividido entre confiar em absoluto no amor ou renunciá-lo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s