Muito Mais que o Amor: Nenhuma perda é digna de ser lembrada quando a nossa maior vitória é encontrar o amor e ser encontrado por ele.

Quando retratamos o amor como personagem central de nossas vidas, involuntariamente assumimos o risco de sermos incompreendidos e até mesmo inseguros. Eu poderia ir e vou mais além. Quando questionamos o amor, o nosso amor, verdadeiramente estamos questionando a nós mesmos. Estamos em busca de paraíso, inferno ou algum destino incerto capaz de nos confundir e de criar incertezas que quase sempre possui tom de mistério.  E é por isso que ás vezes  penso que amar é um equívoco da natureza humana. Somos passionais em uma escala assustadora. Somos feitos para amar e não medimos as consequências por exacerbar e criar uma pseudo perfeição que supomos estar em outrem e que em tese foi feita para nós.  O amor é isso. É exacerbação, é irracionalidade, um modo de fugir daquilo que foge da nossa razão. O amor ora é vago, ora motivacional e perfeito, mesmo que passageiro e subjetivo.  Claro que o amor desperta incompreensão, mas não podemos negar o seu lado poético. Entenda-se por isso a sua capacidade de interação. O amor é uma grande interação. Interagimos com quem está em sintonia com o nosso ego, através de convicções, vontade de passear nas tardes de domingos, finalizadas com um sexo oral bem feito ou simplesmente dividindo músicas que gostamos.

 
cover
 

O amor atenua nossas inabilidades. Todos nós precisamos do amor, ou melhor, todos nós nascemos para o amor e a prova do que eu digo pode ser vista em “Muito Mais que o Amor”, álbum da banda de folk rock Vanguart. Isso.  “Muito Mais que o Amor” é uma análise poética acerca do amor que subverte tudo o que eu disse a priori. O álbum nos diz que querer amar e, consequentemente, querer se entregar aos erros e acertos do amor não é sinal de insegurança ou incompreensão. “Muito mais que o Amor” é grande, soa verdadeiro e extremamente convincente. Pra mim, o álbum da banda Vanguart é uma verdadeira “religião do amor” que deveria ser seguida por todos que amam verdadeiramente.  Com esse álbum concluímos que não somos perfeitos, o amor não é perfeito, o amor não é irracional e acima dele há um coração que bate forte, que é analista de suas próprias carências, um coração que grita e luta porque o amor é um sentimento válido e que quase sempre devemos nos render a ele. “Muito mais que o Amor” retrata um sentimento que não morre, que consegue sobreviver mesmo que mergulhado em pura rejeição. O amor no álbum da banda Vanguart é visto em um plano menor (e não menos importante) e que está diretamente ligado a uma importância maior. Isto é, o amor é um fio condutor que nos liga á  realidade, que necessariamente pressupõe a busca por uma felicidade plena. Eu quero dizer que no álbum da banda nós somos a importância maior, e os nossos sentimentos só existem porque nós estamos acima dele.

 
Vanguartfoto
 

“Muito Mais que o Amor” mostra que o amor é bom, com altos e baixos e mesmo assim podemos nos divertir com ele. No fundo, o amor é uma grande diversão, uma narrativa poética do que vivemos e das loucuras que fizemos e podemos fazer em nome dele. O amor vai, vem ou até mesmo pensamos que nunca virá. Faz parte da “lei do amor”. O álbum da banda Vanguart, que foi formada em Mato Grosso, coloca o amor como consequência e não como causa. É como se ele estivesse na reta final de uma disputa em que só conseguiríamos alcançá-lo através de lutas e experiências, estas, ás vezes ácidas e perversas. “Muito Mais que o amor” adverte (positivamente) que assumimos riscos de toda ordem para alcançar o amor, e ele é alcançável e isso faz com que o álbum guarde uma estética com poética única e valiosa. Relevante dizer que se buscamos o amor, indubitavelmente perderemos aqui ou ali. Mas, nenhuma perda é digna de ser lembrada quando a nossa maior vitória é encontrar o amor e ser encontrado por ele.

A primeira faixa do álbum é “Estive”. Uma faixa com arranjos bem trabalhados e letra sofisticada. A canção narra história de um “eu” que esteve em diversos lugares, passou por várias experiências em busca do amor.  A segunda faixa é “Demorou pra Ser”, uma balada romântica com cara de  Of Monster And The Men. Possui versos irresistíveis que certamente a coloca no topo da lista como a mais linda do álbum. Em seguida tem-se “Eu sei Onde Você Está” onde o “eu” fala de sujeições que ele se propõe para alcançar o que parece aparentemente inalcançável. Em “Meu Sol”, uma das letras mais verdadeiras do disco, o sujeito é passional sem se perder, pelo contrário, ele relata o amor, ele o descreve com tanta beleza poética que chega a afirmar que o amor salva e ele se declara, sem medos e sem preocupações.  Em “A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo” temos uma narrativa de alguém que parte de uma autoanálise para chegar á conclusões pessoais.  “Sempre Que Eu Estou Lá” mostra uma narrativa de um “ eu”  que ainda não encontrou o amor, mas não faz disso algo negativo, pelo contrário, faz dessa ausência um motivo para seguir em frente, com uma insaciada vontade de amar, como ninguém nunca amou antes. “O Que Seria De Nós” narra dependências afetivas recíprocas, com versos como: “O que seria de você sem mim? O que seria de mim sem você?”.

 Já quase finalizando o álbum temos a faixa “Pelo Amor do Amor”.  Um sujeito que deixa claro que não hesitará em desistir na busca do amor. Aqui, tudo é em nome do amor.  O tempo é para o amor e pelo amor.  Já em “Pra Onde Eu Devo Ir?” temos uma eu que questiona pra onde deve ir ou voltar. Uma perfeita mensagem para as pessoas se autoquestionarem: Será que devemos investir em um amor mal sucedido ou devemos partir para outra? Em “Mesmo de Longe”, parece que temos a resposta para a questão levantada na música anterior. Ou seja, temos um eu que não está preso em um dilema de investir ou abandonar o amor. O sujeito simplesmente leva a vida, e ele está pronto para o que vier. Já a última faixa, “Olha Pra Mim”, temos um eu que fala de si próprio, de suas qualidades, de sua resistência por não desistir do amor.

“Muito Mais Que o Amor” é um álbum que soube começar e terminar sem se perder. Um álbum com uma grande mensagem que não exige muito do seu ouvinte, apenas pede que ele tenha uma vontade em comum: Uma vontade de amar associada com a  crença de que o amor se torna perfeito quando nós assim queremos e por ele lutamos.

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