“Sobre o Amor e o Tempo” é maduro, analisa o seu próprio sofrimento e não faz dele um obstáculo para agir, seguir em frente.

A verdade é que arte sem sentimentalismo não sobrevive e não convence. Isso porque somos movidos á sentimentalismos, sejam eles em excesso ou timidamente em busca de interlocutores.  Sentimentalismos são nossas projeções gritando em algum canto ou confessando o que muitos de nós ainda não sabemos. Somos seres feitos para o amor, e isso é fato. A grande questão que indubitavelmente precisamos superar é: E quando não somos escolhidos pelo amor?

Uma superação que  projetamos no tempo porque  não temos a resposta. Aliás, ainda sobre o sentimentalismo, bem diz Emmet Fox que “O sentimentalismo nos persuade a adorar uma abstração irreal de algum tipo, sob a alegação de que as condições reais não merecem que nos importemos com elas“.

Ora, o sentimentalismo é um arte, um modo nosso de encarar a ausência do amor como um ponto de superação.  Sentimentalismo é pura necessidade de dizer algo sobre o amor, mesmo que no fundo o que realmente queremos é ter razões para não fazer indagações sobre as consequências que a falta dele nos faz.

Talvez José Carlos Alves tenha razão:

Nenhum sentimentalismo faz sentido, por isso, eu tento esquecer que isso existe… até agora sem sucesso, mas pelo menos sei fingir”.

Até aqui, o que eu fiz foi especulações pessoais para chegar no álbum que eu quero. “Sobre o Amor e o Tempo” lançado em dezembro de 2013 pela cantora Luiza Possi.

luiza-possi-capa1

 

Luiza Possi uniu sentimentalismo com necessidade de superação. O que eu vejo é um “eu” que apesar de magoado, apesar de estar só, flerta entre o racional e o emocional. Isso. Poderia ser apenas um álbum marcado pela dor do amor, mas não é. “Sobre o Amor e o Tempo” é maduro, analisa o seu próprio sofrimento e não faz dele um obstáculo para agir, seguir em frente. Talvez a grande lição da vida esteja presente entre os dois pólos: o amor e o tempo. Aliás, esses são como doença e cura, loucura e razão, ou algo assim. Luiza Possi, com o novo álbum, prova para todo mundo que o tempo é a grande cura para o amor, para nossas emoções incertas e estúpidas. No fundo, o que eu percebo é que a Luiza  quer dizer que o amor é algo bom e quando ele fere e nos limita, temos que encará-lo como um grande passo errado, mas nunca como uma irreversível queda. Perder no amor não é cair feio. É errar os passos e mesmo assim continuar fazendo apostas.

O amor tem essas coisas. Quando um relacionamento não dá certo, sabemos que temos que seguir em frente, mesmo não tendo a mínima ideia de como e para onde seguir. “Sobre o Amor e o Tempo” traz uma dor contundente, uma dor subjetiva em que o “eu” fala de sentimentalismos marcados por ausências e até mesmo saudades de histórias já vividas. Será que já paramos para pensar como é a vida de alguém sem amor? A solidão é algo que devemos evitar e encará-la como nosso grande inimigo, acima de qualquer coisa. Todos nós temos planos de construir uma vida a dois, de viver dias comuns ao lado de alguém capaz de retribuir sorrisos, fazer sexo a qualquer hora e comemorar a cada dia que passamos juntos. Pode parecer óbivio, mas a Luiza Possi fala de amor de uma forma direta e convicente. Em outras palavras, ela descreve o amor como uma perda, porém, não definitiva. Acho que é isso. O amor é um grande sentimentalismo provisório. São coisas que reclamamos para nós e quem as tem certamente sabe que no fundo ele vale a pena.
O amor tem que encontrar as pessoas, ou o contrário. Ele deve estar acima de tudo e todos. Sem amor seríamos um grande mistério, uma verdadeira máquina insensível e incapaz de escrever a nossa própria história.
Aqui, quero mudar a pergunta que eu fiz acima. Que tal substiuir “E quando não somos escolhidos pelo amor? por ” E por que não estamos lutando para sermos escolhidos pelo amor?”
O amor traz vieses de escolhas, seletividade e um pouco de sorte. Acho que cada um é movido por seu próprio sentimentalismo, mas no fundo ele é um só, não importa a sua linguagem e a sua forma de tocar as pessoas. Sentimentalismo é sentimentalismo e se ele é verdadeiro, merece especial atenção, pelo tempo que for.

A seguir, cinco faixas que você deveria ouvir em “Sobre o Amor e o Tempo”

01. O Mundo Era Nós Dois
02. Devo Lhe Dizer
03. Tão da Lua
04. Coisas Pequenas
05. Tempo em Movimento

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s