Supossed Former Infatuation Junkie: Sendo óbvia ou emblemática, Alanis sempre deixa transparecer que sua ausência de paz, ou simplesmente ausência de acordos emocionais é uma problemática que a obriga a desafiar tudo que já foi cantado sobre sentimentalismo de uma pessoa só

 

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Supposed Former Infatuation Junkie é uma espécie de grito racional em busca de paz. Não se trata de uma paz pré-estabelecida e muito menos alcançada a curto prazo. O que Alanis busca é uma paz ás avessas, uma paz não minimamente desejada e que é exteriorizada o tempo todo de forma tão consciente e coerente que para muitos assume posição de um grande dogma. É uma busca tão centrada que parece que Alanis Morissette conseguiu reinventar tudo o que já se sabia sobre loucura e sua capacidade de autocura. Para não fazer afirmações inconsistentes, a loucura em Alanis Morissette assim como a paz ou qualquer outra virtude, ou ainda qualquer tentativa de subversão, é ambivalente. Se para todas as pessoas existe um parâmetro de paz e loucura, em Alanis, ela os explora, explora a fundo, como se fosse uma grande necessidade vital, como o próprio ato de respirar e de socialização.

 

Essa pode ser a grande marca da canadense. A lógica do Supposed Former Infatuation Junkie é dizer sobre a vida a partir de confissões racionais e sem grandes pretensões a priori. É como se blindar em excesso de segurança a partir do seu oposto, na mesma intensidade. É como acreditar ter a vida perfeita e refugiar-se em drogas por ter certeza que perfeição ou a busca dela é a maior causadora de guerra e alienação da razão. A busca pela paz pra ela é uma busca por ser amada e aceita com todas as suas qualidades e defeitos, e talvez o maior conflito em SFIJ seja o medo de ter que reconhecer isso. O que parece é que o maior medo da Alanis nesse álbum é ter que reconhecer que a busca do equilíbrio que ela tanto procura nada mais é do que ter uma vida convencional, com marido, casa, filhos, cachorros e viagens. Há uma necessidade intelectual de querer pensar diferente e idealizar um mundo mais justo, inclusive para si própria.

 

 Ás vezes ela é direta e ás vezes ela transforma o óbvio em algo maior, algo como longas e ponderáveis reflexões sobre o que nós (seres sociais ou sociáveis) fazemos ou realmente queremos.

 

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Sendo óbvia ou emblemática, Alanis sempre deixa transparecer que sua ausência de paz, ou simplesmente ausência de acordos emocionais é  uma problemática que a obriga a desafiar tudo que já foi cantado sobre sentimentalismo de uma pessoa só. Em Supposed, Alanis descarrega todo o intelectualismo que o mundo precisava conhecer. Não é só uma voz feminina em abstinência por homens. Não é só uma mulher bem sucedida nos negócios e maltratada no amor. Não é só uma mulher dividida entre fé e espiritualidade. Alanis é um conjunto que, visto como um todo, se torna uma grande deliberação sobre o que mais intriga a humanidade: A existência do próprio ser e suas oscilações de perdas e ganhos.

 

Importante deixar claro que Alanis não nos dá respostas, embora, pessoalmente eu possa afirmar que há vários caminhos e alternativas. Isso. Alanis traça alternativas a partir de um modelo-problema. É a voz da experiência flertando com um ser que ainda parece inexperiente, mas que no fundo é o grande mentor para fazer despertar em nós as nossas próprias ilusões e disputas e contradições. SFIJ é o exemplo de como o ser humano é inseguro, inexperiente e o quanto a rejeição sufoca. Mais do que isso. SFIJ é uma grande autodeliberação, uma conscientização de que somos muito loucos para querer tentar entender a loucura dos outros, sobretudo, de quem amamos.

 

Se eu acreditasse em deus eu teria certeza que Alanis teve algum ensinamento pessoal com ele. Seria como a relação entre os gregos Platão e Aristóteles.  A questão é que Alanis sente muito por ser tão maltratada pelos homens, ao mesmo tempo em que ela expõe o seu intelectualismo incomum (porém não exclusivo) para sua época. Como pode uma mulher bater de frente com o cristianismo? Sim, é uma mulher que está ali fugindo da loucura do mundo ocidental, numa última tentativa de curar sua própria loucura.

 

Alanis tem um espírito transcendental, capaz de formular criticas contundentes para todos os modelos de injustiças que a incomoda. Ela não luta apenas por espaço para as mulheres, ela o cria com sua capacidade natural de chamar a atenção do mundo, sempre com seu uso equilibrado da razão.

 

Acho que eu deveria ter alertado isso no inicio do texto, mas não o fiz propositalmente. A questão é que Alanis Morissette é a minha cantora favorita. Inclusive, o nome do Blog cappuccino POP, surgiu de uma música dela chamada “No Pressure Over Cappuccino”.  Entendo que como fã, algumas coisas podem soar tendenciosas, mas quando a ideia é falar de amor (ou a falta dele), de loucura (ou loucura em potencial), de intelectualismo (ou a vontade de tê-lo) ou até mesmo da noção de transcendentalismo, eu não penso duas vezes e deixo a emoção falar por mim. Aliás, resenhar discos é buscar significados, é fazer um paralelo entre universalismos e sentimentos pessoais, é mergulhar sem medo na nossa mais sentida e profunda subjetividade  que quase sempre nos apavora.

 

É complicado resenhar o SFIJ quando ele foi precedido pelo fenômeno Jagged Little Pill. Sem querer confundir o objeto desse post, posso dizer que em Jagged Little Pill Alanis quis vencer os seus dilemas com um grande grito de ódio. O que a canadense não sabia é que o seu grito de ódio seria o ponta pé para toda uma geração não se sentir mais só, sem voz e sem referência de liderança. O SFIJ nasceu da tomada de consciência da Alanis, em que ela a priori queria desabafar com o mundo e de fato o mundo a escutou. Não só a escutou como a elevou á posição de uma grande líder. Essa liderança alcançada fez com que ela falasse para o mundo que o ódio por si só não era a solução. O que teríamos que buscar (além de aprender a entender tanto ódio) é a paz plena. Isto é, guerra e paz não poderiam e não podem ser dissociadas. Em outras palavras, Alanis diz que eu não posso odiar o fato de ser rejeitado pelo ex. Mais do que isso, tenho que buscar alternativas, ceder, rever conceitos, trabalhar com os próprios defeitos e até mesmo renunciar o que supomos ser um grande amor perfeito.

 

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Por falar em defeitos, pessoalmente passei por um momento da vida em 2008, em que tudo parecia não fazer sentido. Foi quando eu me afundei no SFIJ (Sobretudo com a faixa That I Would Be Good) e percebi ou tenho percebido que a vida é tão simples e nós seres humanos criamos relações confusas e causadoras das nossas próprias dores. Foi com a Alanis que eu aprendi que as marcas da vida (leia-se: marcas do tempo) são inevitáveis e não podemos encará-las como um fator-problema, e sim como um fator-crescimento. Em SFIJ eu aprendo (Apesar do disco ser de 1998, ele não se perde no tempo, pela sua contemporaneidade de sentimentos e problemáticas) que eu serei cobrado e por mais que cobranças machuquem, elas no fundo terão algum viés de razão. Em Supposed eu sei que eu posso ter conflitos com minha família, que eu posso sofrer antecipadamente por estar ficando velho, não importa, são demandas que não escolhemos e talvez nunca saibamos que demandas são medos ocultos de perder, e perder é uma questão de imposição. Vence na vida quem se impõe primeiro, quem não tem medo de ousar e falar com confiança, quem não tem medo de transparecer que o amor é um sentimento inevitável e incontrolável.  Machado de Assis já trouxe algo nesse sentido, algo como “Aos vencedores as batatas”, embora em um contexto diferente.

 

Suppossed Former Infatuation Junkie que em português pode significar “Supostamente ex-viciado em paixões” contém 17 faixas (18 na versão australiana), foi lançado em 1998.

 

O álbum abre com a narrativa de “Front Row” que nada mais é que o primeiro grande exemplo da ambivalência encontrada em Alanis Morissette. Amor e ódio se confundem ou pelo menos se mesclam propositalmente. É como se você amasse a pessoa que não te dá a mínima e  por isso você pensa que deve odiá-la e até faz algum tipo de esforço para isso. No fundo, o que se vê é uma espécie de discurso como “Eu amo te amar e me odeio por isso e sei que estou odiando a pessoa errada!”. Na letra podemos encontrar algo do tipo: “I’m mad at myself for spending so much time with you and your jeckyl and hydeness / Eu estou com raiva de mim mesma por estar perdendo tanto tempo com você e sua personalidade escondida”.

 

A segunda faixa é a emblemática “Baba”.  A letra dessa canção aborda demandas espirituais no sentido de necessidade humana. Acredito que o termo “Baba” faça referência ao termo usado em culturas da Àsia. O termo tem grande carga espiritual e é usado como um termo honorífico para o pai, homem sabido, ou simplesmente homem idoso.

 

A questão é que “Baba” retrata dilemas espirituais sob a forma de indagações. Pessoalmente, entendo que “Baba” expõe uma necessidade de questionar aquele que o vemos como um grande sábio, que tem todas as respostas e soluções.

 

 Há questões como “How much longer ‘till you completely absolve me? / Quanto tempo até você me absolver completamente? ou “How soon will I be holy? How much will this cost, Guru? / Quando é que serei purificada?Quanto isto irá custar, guru?”

 

A terceira faixa fica por conta de “Thank U”. Trata-se de um “Obrigado” aos dilemas, aos erros afetivos, ao ódio, ás drogas, enfim, trata-se de um grande obrigado aos elementos da realidade que estiveram ao redor da Alanis ao longo daquele tempo, sobretudo, ao longo da repercussão mundial do Jagged Little Pill.

 

Thank U traz uma voz de fuga. De um dia para o outro a Alanis se viu transformada em uma grande líder mundial para uma geração de diferentes culturas e continentes.  Essa questão de ter seus dilemas pessoais ouvido no mundo todo trouxe uma espécie de medo para a Alanis. Ela queria soluções e acabou sendo a válvula de escape para as pessoas.

 

“Are You Still Mad” é a faixa número quatro.  Nessa canção Alanis questiona um interlocutor, como se vê em: “Are you still mad I shared our problems with everybody? / Você ainda está furioso por eu ter compartilhado nossos problemas com todos?” O tal compartilhamento sem sombras de dúvidas faz referência ao álbum anterior, sobretudo na faixa You Oughta Know.  Trata-se de um questionamento com toque de sadismo.  Talvez a grande sacada da Alanis Morissette é demonstrar que apesar de perdermos no amor, não devemos em hipótese alguma perder o senso de ironia. Ironizar o amor é uma espécie de subversão ou no mínimo uma loucura escondida. Significa que podemos ser racionais nos nossos piores momentos, e isso é uma tática de sobrevivência.

 

 Já em “Sympathetic Character” encontramos uma colisão entre seres, uma luta regrada por um discurso em busca de nivelamento de papéis sociais. Os papéis de homem e mulher são confrontados de forma crítica e com base em experiências reais. No fundo, trata-se de uma mulher pronta para despontar, para se expor, para confessar, para mostrar toda a sua humanidade.  A letra expõe as nossas falsas projeções que depositamos em alguém, sem ao mínimo fazer considerações.  É como conhecer alguém e achar que há reciprocidade entre nossas convicções e que esse alguém é algo tão genial que é capaz de nos entender e compartilhar demandas e sonhos e angústias e o que quer que seja.

 

“That I Would Be Good” não é apenas o ponto alto do álbum como é uma das maiores canções da carreira da Alanis Morissette. Em tradução para português a faixa recebe o título de “Que eu fique numa boa”. Poderia fazer um post extenso e exclusivo para essa música e mesmo assim eu não conseguiria traduzir em palavras a carga de humanidade que essa canção carrega. “That I Would Be Good” é uma espécie de mantra protetor para todas as fases da vida. Essa canção é capaz de absorver nossos problemas criando esperanças. Mais do que isso, Tha I Would Be Good é capaz de nos curar de nossa própria prisão. É natural que o ser humano médio tenha conflitos para cada fase da vida. A busca pelo corpo bonito quando se está fora dos padrões, a perda da juventude e dos cabelos, a existência de um abismo entre vida e morte por causa de um amor perdido, enfim, são fases que em algum momento da vida, todos passarão. E é aí que That I Would Be Good entra. Essa canção tem a finalidade de nos absorver de nossa própria loucura e inabilidade de pensar e agir com uso da razão. That I Would Be Good é uma faixa carregada de humanidade e é com ela que Alanis prova para o mundo que nós podemos buscar conexões espirituais através de nós mesmos.

 

O fato recorrente é que eu sempre cito o uso da razão no Supposed Former Infatuation Junkie. Essa é uma característica registrada da Alanis Morissette. Ela é a prova viva de que nem tudo na vida está perdido, e mesmo que tudo pareça que está, ela cria suas próprias regras de sobrevivência e subverte problemas em grandes reflexões, verdadeiros dogmas.

 

Gosto de afirmar que o grande barato do Supposed ou de qualquer outro disco da Alanis é que o sofrimento está ali. A insegurança está ali. O sentimentalismo está lido, exposto e verdadeiramente sentido. Apesar de tanta guerra de sentimentos, Alanis não se perde e sempre prioriza o seu lado racional.

 

Quantos de nós temos essa capacidade? Saberíamos e conseguiríamos agir com razão e não com emoção com o fim de um relacionamento? E mais, quantos desejos reprimidos nós acumulamos ao longo da vida? Seríamos capazes de absorvê-los sem recorrer a nenhuma entidade externa a nós mesmos?

 

Alanis Morissette parece que inaugura a religião do próprio ser, uma espécie de antropocentrismo emblemático, afundado na arte e na vida.

 

Faixa número sete, “The Couch” mostra um “eu” em busca de terapia literalmente, em que problemas familiares, papéis sociais e todos aqueles conflitos emocionais não resolvidos reclamam por soluções. Nessa letra encontramos questionamentos como “I have been silently suffering and adapting, perpetuating, and enduring. Who are you younger generation to tell me that I have unresolved problems?  / Eu silenciosamente sofri e me adaptei, segui em frente e suportei. Quem são vocês, nova geração, para me dizer que tenho problemas mal resolvidos?”“.

 

“Can’t Not” é a próxima faixa do álbum e traz as relações conflituosas com homens como sua grande temática. Nessa canção, Alanis expõe seu ressentimento e dificuldade de se relacionar com homens. Talvez a grande dificuldade seja pelas funções sociais de homem e mulher que ela tanto recusava. Pra ela, mulher não deveria ser vista como um ser subalterno  e ela estava ali pronta para escrever e encarar o mundo machista e sexista da sua época.

 

“UR” é a faixa número nove e traz consigo uma dose de mistério e figurações. É do tipo de canção que te força a ter uma interpretação,  “UR” é como se fosse um desabafo em cima do muro, uma forma de dizer algo sem ser direto. Há relações humanas em colapso, há auto referências, há elogios e mesmo assim um vazio sentimental.

 

“I Was Hoping” prossegue e facilmente assume a posição de faixa mais emblemática do disco.  Completamente caracterizada por figurações de linguagem, essa canção retrata um diálogo entre duas pessoas, em que elas estão discutindo a relação literalmente.  O que se vê é que, diante de uma história de amor não vingada, esses dois sujeitos se encontram e começam a se analisar.  O interessante é que o homem da relação nessa canção é casado e deixa a mulher dormindo no quarto para discutir a relação com o “eu” feminino da canção. Tudo vem á tona, promessas, defeitos e qualidades. É como terminar uma relação e cada um seguir em frente e poeticamente, você ter a possibilidade de encontrar com aquele (a) que você pensava ser a pessoa mais perfeita pra você e começar a discutir o passado, os erros, os momentos. Uma discussão que não se confunde com desejo de reconciliação. “I was Hoping” mostra um balanço poético entre perder e ser maduro o suficiente para analisar a própria perda.

 

Faixa de número onze, “One” aborda a intensidade e sinceridade de assumir os próprios defeitos. Alanis não quer podar os próprios defeitos, pelo contrário, ela os aponta e não faz deles a razão maior de sempre perder no amor. Talvez a grande mensagem dessa canção é que o amor  pressupõe imperfeição de ambas as  partes. Num relacionamento a dois, o que se busca não é corrigir os defeitos do outro. O que se quer e o que se espera é que cada um saiba adaptar o seu mundo e suas convicções para que a vida á dois se torne a mais perfeita possível. É uma questão de adaptação e não de correção.  Aqui, abro um paralelo para argumentar o que estou dizendo. Quantas vezes não somos cobrados pelo amor? Muitas pessoas não entenderão o que realmente é o amor enquanto não entenderem que ele e a perfeição se repelem automaticamente, isso porque somos humanos e numa relação não buscamos perfeição e sim equilíbrio.

 

Já em “Would Not Come” Alanis aborda o fator psicológico “Se” para traçar e analisar a sua própria vida se ela tivesse tomado outros caminhos. Na verdade, há uma crítica por trás dessa canção. Ela expõe uma voz vulnerável e insegura quanto a si próprio para dizer que o problema não está nela, e si nas injustiças que a cercam. Melhor dizendo, o problema não é dela, o problema está na sociedade, nos homens, na carência de conceitos e de afetos.  Podemos ver algo parecido disso em: If I’m masculine, I will be taken more seriously / Se eu fosse masculina, eu seria mais levada a sério; If I am vulnerable, I will be trampled upon. / Se eu for vulnerável, serei humilhada; I would scream and rebel, still it would not come / Eu gritaria e me rebelaria e ainda assim não adiantaria; I’d renunciate, and still it would not come / Eu renunciaria e ainda assim não adiantaria.

 

Perto do fim do álbum temos “Unsent”, uma das faixas mais geniais do disco e do repertório da Alanis.  “Unsent” é idealizada poeticamente como uma carta “não enviada” para os ex-namorados.  Alanis cita os ex e diz como cada um a influenciou e a ensinou a ser alguém mais encorajada e menos autodestrutiva. Talvez, nessa faixa as pessoas podem querer rotular a Alanis como uma mulher muito carente de homens. Como eu disse acima, Alanis é mais do que isso. Não é apenas carência de homens, é carência de relacionamentos, de afeto, de algo verdadeiro, de uma relação “win and win”. Nessa faixa a Alanis não quer retratar apenas carência. Ela quer de alguma forma dizer que homem de verdade é aquele que não enxerga as mulheres como apenas a fêmea pronta para receber. Alanis cativa sentimentalismos e isso é uma escolha dela. Somos uma sociedade muito sexista, onde os papéis são pré-definidos e a grande questão que eu indago é: E quando não nos identificamos com esses papéis? Devemos ser  vistos como carentes e intolerantes?

 

A próxima faixa é uma balada que vem para suavizar toda essa carga emocional e espiritual do Supposed.  Trata-se de “So Pure”, uma faixa mais romântica e convidativa.  So Pure tem versos como “Let’s discuss things in confidence. Let’s be outspoken, let’s be ridiculous. Let’s solve all the worlds problems / Vamos discutir coisas em confidência. Vamos ser francos, vamos ser ridículos. Vamos resolver os problemas do mundo”.

 

“Joinging You” é outra letra em que Alanis narra mais um caso de amor perdido, embora para ela, se tratasse de um amor com grande carga de conexão e afinidades. O interessante é que a Alanis usa de uma poética diferente para falar de amor. Ela faz um balanço poético narrando histórias, juntando qualidades com erros, fracassos com aprendizado, subversão moral com autossuficiência espiritual entre outros.  São qualidades e um modo pessoal da Alanis se manifestar que chega a ser até meio previsível, embora nunca entediante.

 

“Heart Of The House” é uma faixa em homenagem á mãe, traz essa necessidade de abordar demandas familiares, de expor agradecimentos e ao mesmo tempo denunciar conflitos. Na letra, Alanis retrata a mãe (e extensivamente a mulher) como o “Coração da casa”, o que pra mim, não deixa de ter um quê de figuração de linguagem, para dizer que as mulheres são o “Coração do mundo”, o que realmente são.

 

Última faixa do disco, Your Congratulation” encerra o trabalho da Alanis de forma exemplar. O que ela diz é, tudo o que eu fiz até aqui foi por você. Se eu fiz merda ou se eu fiz a maior declaração de amor do mundo foi por você. E o grande e último “Parabéns” é uma forma de dizer que o maior aprendizado na vida surge quando buscamos o amor e não o encontramos ou simplesmente não era a hora de encontrá-lo.

 

 

 

 

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