ZEITGEIST é uma linguagem, um elo que interliga cantor/arte com realidades sentimentais difusas

Toda voz embargada deixa transparecer algum tipo de emoção, prestes a se tornar incontrolável. É que a exteriorização de nossas emoções é uma forma de dá-las publicidade, ainda que de forma não intencional. Emoções são interessantes porque elas prenunciam algo de nós e muitas vezes entendido somente por nós. E eu quero delimitar todas essas afirmações. Em verdade, onde há uma voz embargada, há sentimentos de agradecimento, de fé, de amor demasiado, de raiva, de arrependimentos, de erros, aprendizagem, enfim, sentimentos cheios de importância. Emoções são carregadas de sinceridade, basta a primeira oportunidade que elas vão querer voar, como se o universo fosse o seu principal interlocutor. Há emoções de todo tipo, mas aquela que embarga a sua voz e faz os seus olhos se movimentarem á deriva, tentando conter cada gota de lágrima instável, é que realmente vale a pena. Não que as demais sejam irrelevantes, mas esse tipo de emoção traz o mundo ao seu redor e faz você entender que a grande sacada da vida é você se permitir. E quando eu digo em se permitir eu quero dizer em permitir se emocionar, ser tocado, ser influenciado, reconhecer ser pequeno diante de um mundo instável, mas ao mesmo tempo, reconhecer ser gigantesco diante da nossa potencialidade de aprender e superar o que poderíamos entender ser o nosso limite emocional.

Todos esses devaneios expostos acima são frutos do meu mais profundo e sentido “senso de paixão”, confesso. Paixão está estritamente ligada á persistência, e isso se torna um regra de sobrevivência a partir do momento em que passamos a resumir a vida entre essas duas palavras: Paixão e Persistência.
Parece simples, mas são palavras que nos trazem um universo para nos encantar, para criar motivação onde existe desespero.
Confesso que fazer ponderações sobre a vida é mais fácil quando temos uma boa trilha sonora para nos ajudar a seguir para onde quer que seja. Dessa vez, o responsável por todas as minhas deliberações (que tem um viés existencial) é o mais recente álbum do cantor Phillip Long, intitulado “ZEITGEIST”.

CAPA

Zeitgeist é um disco que já na primeira faixa tem o poder avassalador de embargar a sua voz, tal como relatado no primeiro parágrafo desse post. Em verdade, “Daniel” é tão sincera e visceral que ela é capaz de embargar a minha voz e deixar transparecer um sem limites de emoções. Digo isso porque “Daniel” é dotada de um discurso existencial forte, ao mesmo tempo em que denuncia o quão chocante é viver uma vida definida por medos e repressões. “Daniel” luta por reconhecimento, por espaço social, por liberdade. É uma voz masculina em conflito com sua orientação sexual. Aliás, não com a sua orientação sexual em si, mas com relações humanas dela decorrentes. Pode parecer clichê, mas em “Daniel” Phillip Long aborda o submundo de um “eu” gay que não tem coragem de ser quem realmente ele quer ser. Em verdade, não é uma questão de querer, de escolhas, mas sim, de encarar a complexidade emocional em volta do próprio discurso de aceitação. “Daniel” tem medo da reação das pessoas ao descobrirem a sua sexualidade. “Daniel” sente o que cada um de nós sentimos, ainda que em contextos emocionais diferentes. A solidão, o isolamento, a marginalização parecem ser temas da vida que tem o grande poder de nos fazer renunciar, inclusive da própria felicidade. Porém, a grande mensagem da canção é despertar um sentimento de perseverança no seu ouvinte, na medida em que a grande moral da história (música) é entendermos que mesmo que a vida e as pessoas nos digam algo como “você não pode”, nós em verdade podemos sim, porque o amor é (ou deveria ser) a maior inspiração para se viver. Ao final de “Daniel” temos a mensagem de conforto: “I’m by your side like I’ll always be. You can count on me.You can count on me”.

A segunda faixa do disco se chama “Going With The Wind”. É uma canção que na minha opinião, vem para dizer o que talvez ficou implícito na primeira faixa. Em “Going With The Wind” o que Phillip Long nos revela é a importância da perseverança, de se viver uma vida sem disfarces e, para o cantor, viver em busca do amor e da paz de espirito. Isso é importante e extremamente motivador. A questão da paz de espirito é uma forma de busca de auto conexão. De saber quem você é e de entender o amor como uma filosofia para toda a vida.

Já em “Lake Of Lovers” há uma metaforização da nudez com a concepção de auto conexão acima abordada. A nudez, metaforizada, é uma marca registrada em outros trabalhos do cantor e em Zeitgeist ela é retratada sem perder a sua importância. Na verdade, “Lake Of Lovers” parece descrever um encontro de amor, de sexo, de salvação. É que nessa canção há um “eu” em despespero, em conflito, se perdendo, á deriva, até que é salvo pelo amor.

“Softly As A Butterfly” traz a sua irreverência já conhecida de canções como “Insane” do disco “Seven”. Mas, aqui há uma sedução mais romântica, mais convidativa e menos explosiva.

“Happiness Comes By Morning” é uma balada romântica tão inspiradora que o amor pra mim adquire novos contornos, ou até mesmo novos conceitos. Se antes dessa música eu enxergava o amor como uma utopia, em “Happiness Comes By Morning” eu o enxergo como conforto, como algo alcançável e acima de tudo, belo de ser vivido e de se extrair até a última gota do prazer (aqui, em todos os sentidos).

“Tired Of Being A Boy” é a faixa de número seis do álbum. É uma faixa que aborda a questão da sexualidade e a questão de gênero. É uma canção que tem uma voz crítica, sem perder a sua própria leveza poética. Em Zeitgeist Phillip Long aborda temas da sociedade, como a questão do gênero e o preconceito sexual de uma forma leve e demonstra o quão genial ele é por fazer da sua música um veículo de comunicação para encorajar as pessoas a serem quem elas são em sua essência.

“Lullaby Song For Lost Children” continua a mensagem social trazida pela canção anterior, e dessa vez critica o machismo da sociedade e a forma como as mulheres ainda são tratadas. Ainda há espaço crítico para a questão racial e para o preconceito sexual.

“Shouldn’t Keep Me Around You” é uma canção que se aproxima mais com o discurso do “Man On A Tightrope”, primeiro disco do cantor, lançado em 2011. Essa música retrata um ser em conflito e em busca de algo. Há um lado emocional que se revolta com a sua desimportância para as pessoas. É uma das faixas mais bem arranjadas do disco e forte candidata a melhor faixa do álbum (ao lado de “Daniel”, “Happiness Comes By Morning” e “Going With The Wind”).

“Bending And Breaking” faz do amor o seu tema central. ” O amor”, tão difícil de entender, de conceituar, mas que é capaz de mudar a nossa respiração, os nossos olhares, e até despertar em nós um silêncio quando tudo o que queríamos era dizer algo, mesmo que desconsertadamente e impulsivamente. “Bending And Breaking” é uma canção para se ouvir enquanto o nosso amor vem a nós através de lembranças e de desejos.

“Moonchild”, para esse que vos escreve, é a faixa mais emblemática do disco. Uma balada animada, mas que eu hesitaria em dizer “feliz”. “Moonchild” talvez possa ser uma voz em busca de respostas, de caminhos, de encontros, de superar a solidão através de um diálogo construtivo.

“Kind Woman” é a última faixa do disco, que trata de uma relação de amor, de conhecimento entre dois homens: John e Peter. O interessante no novo trabalho do Phillip Long é que o amor está presente em todas as faixas, mas não de forma linear. Zeitgeist é uma linguagem, um elo que interliga cantor/arte com realidades sentimentais difusas. Aqui, o amor é múltiplo, e no final das contas, a busca por ele se torna uma língua universal. No novo disco do cantor de Araras/SP podemos encontrar uma poética ora solitária, ora impaciente, ora crítica, mas em todos os casos feita para todo tipo de emoção. A voz inconfundível, a melancolia mesclada com pegadas de Folk, rock e Indie, faz com que as músicas do Zeitgeist se tornem irresistíveis.

Curta a página oficial do Phillip Long clicando AQUI

Baixe o álbum Zeitgeist AQUI

Compre o Zeitgeist AQUI

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s