"Tô Na Vida" ostenta um status de sensatez que reflete a estabilidade emocional de um "eu"extremamente convicto de si.

Para o amor, perder é uma loucura inaceitável. E passamos parte de nossas vidas lutando para não perder, ainda que isso signifique ceder de alguma forma. Com o tempo vamos entender que toda a nossa luta se transformará em um forte senso de reflexão. E, não há arma mais eficiente para nos salvar do amor não correspondido do que esse senso de reflexão, também conhecido como sensatez.
É ela a responsável por nos manter aquecidos, ainda que claramente marcados por incertezas. Quando passamos a dialogar com o amor com esse senso de sensatez, passaremos a dar demonstrações  de que apesar de tudo somos capazes de ser fortes, racionais e confiantes no nosso próprio ego.
Sensatez não nega o amor, longe disso. Ela apenas serve para dosar os dois lados, porque na vida sempre haverá os dois lados. A sensatez nos recorda que o amor é inevitável, e que o sofrimento pode e deve ser deixado de lado. O sofrimento é vazio, sem nenhuma expectativa, e é nele que reside todas as possibilidades para a nossa auto destruição. 
E é com esse senso de sensatez que a cantora Ana Cañas nos apresenta o admirável álbum “Tô Na Vida”.
“Tô Na Vida” ostenta um status de sensatez que reflete a estabilidade emocional de um “eu”extremamente convicto de si.
O novo trabalho da Ana é um disco para e sobre o amor. Não há  um discurso instável ou mesmo incerto, ao menos de forma centralizada. Ana Cañas sabe o que quer mostrar no álbum e de fato ela mostra. Aliás, ela não só mostra como deixa um discurso aberto, para que o seu interlocutor possa ser tocado á sua forma.
“Tô Na Vida” nos ensina que qualquer senso de maturidade está ligado á vivências pessoais, ainda que todas elas tenham sido um grande fracasso.
O novo disco da Ana Cañas é grandioso e transcende o seu discurso de sensatez. De algum modo, o novo trabalho da cantora nos alerta que em algum momento da vida o amor irá nos pedir tempo, irá nos entregar alguma espécie de dor, como se ele estivesse testando a nossa capacidade de resisti-lo.
A bem da verdade, “Tô Na Vida” nos mostra que o amor testa os nossos limites e, o nosso senso de racionalidade e o nosso senso de responsabilidade ficam á flor da pele.
Pode não ser algo tão consciente para a grande maioria das pessoas, mas o amor quase sempre é tema central de nossas vidas e, falar dele, ainda que de forma singela, é uma forma de nos desvendar por completo.
“Tô Na Vida” é um disco que fala do amor, e a partir de seus sentimentos e experiências nos mostra que tem muito o que compartilhar com nós. É um compartilhar tão lindo poeticamente que o disco atinge facilmente o status de universalidade.
“Tô Na Vida” não é qualquer disco, é Ana Cañas, de longe uma das maiores vozes da música brasileira contemporânea. 
O álbum abre com a romântica “Existe”, uma faixa que tem muito a nos oferecer, e que nos ensina a ser mais humanos e coerentes do ponto de vista emocional.
A próxima faixa é a explosiva “Tô Na Vida”. A faixa título do álbum  começa com “Eu fiz besteira, não tem desculpa, vai ser pior se eu explicar. Fiz tudo errado com você, sinto muito meu bem, mas eu vou consertar”. É uma faixa para chorar, sorrir, sentir arder, ousar, hesitar, apostar, amar em excesso, criar coragem, se declarar, se conhecer, se descrever, se permitir, se identificar, se magoar, errar feio, aprender e no meio de tudo isso não perder a consciência de que estamos na vida, literalmente.
A próxima faixa  é “Hoje Nunca Mais”, uma balada que fala de medo, da dificuldade de deixar de pensar no amor, do desejo de encontrar um novo alguém.  Aqui, parece que de forma implícita, Ana Cañas nos mostra que o amor se nega a entender o conceito de “utopia”. O amor quer ser infinito. É um querer muito influenciado por nós, pelo nosso idealismo sem limites e que pode não ser saudável, mas é motivador e cheio de força de vontade para viver.
Já em “O Som do Osso” Ana nos apresenta uma balada mais descontraída, mas cheia de personalidade. Aqui, a mensagem principal é para sermos quem queremos ser.
“Indivisível” tem uma pegada de rock, no estilo “Girl Power”. Ana canta “Todo mundo já sabe, nós fomos feitos um pro outro. E no silêncio não cabe, por isso eu não escondo mais”.
Em “Coisa Deus” Cañas deixa transparecer toda a sua versatilidade e talento em mesclar uma letra que transborda desejo de amar com uma batida mais explosiva.
Seguindo, Ana Cañas traz “Bandido”, faixa que retorna com o ar mais romântico do disco. É uma canção para que o seu interlocutor nunca queira deixar de amar. Nessa canção encontramos versos como “Vou arder, vou queimar no fogo do inferno. Vou morrer de amor, nosso céu nunca esteve tão perto. Eu te quero agora, já passou da hora da gente se amar”.
A próxima canção é “Feito de Fim”, onde encontramos uma batida mais experimental e com uma letra que foge da estrutura do disco.
Se em “Feito de Fim” há uma ruptura na coesão do álbum, em “Um Dois Só” Ana retorna com a sua mensagem principal, e nos presenteia com uma das melhores faixas do seu novo trabalho. “Um Dois Só” é uma faixa que fala de amor, de um “nós”, de frustração, de esperanças, de encontros, de beijos, de tudo o que faz do amor um sentimento tão lindo e tão perigoso, ao mesmo tempo.
“Amor e Dor” tem uma letra forte e é um dos motivos pelos quais “Tô Na Vida” pode sim ser considerado o melhor disco nacional de 2015.
Por sua vez, “Mulher” é uma faixa com uma veia claramente feminista e, quem diria, flertando com o discurso de liberdade sexual tão reivindicado pelos gays.
Perto do fim do disco encontramos ” Pra Machucar”, uma canção que transborda feridas de amor, mas sem deixar a instabilidade emocional ser protagonista. Aqui, encontramos algo como ” E a gente que se ama tanto, mas tudo foge, morre, escorre pelos cantos. A gente fez tantos planos e agora quem socorre o vazio dessa dor? Não vai passar, alguém pra cuidar. No tempo da alma têm a dor da vida. Só o amor é que pode dizer se tudo que existe  ainda têm eu e você”
“Madrugada Quer Você” é a penúltima faixa do disco. Sem grandes pretensões, essa canção serve de tapete para a última faixa fechar o disco de forma triunfante.
Eis então que temos “O Amor Venceu”, última faixa do “Tô Na Vida”. “O Amor Venceu” é romântica, sofrida, coerente e extremamente confiante no amor e em si. Ela fecha o disco nos apontando que ” O amor é o que interessa, o que importa e o que nos resta”.
Tô Na Vida”, cumpre o seu papel na música nacional e certamente será lembrado como um dos momentos mais lindos da música brasileira no ano de 2015. 
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