Top cappuccino: Top álbuns internacionais do ano de 2015.

Inaugurando uma nova coluna no cappuccino pop, trazemos aqui uma lista com os 15 discos mais relevantes do ano de 2015. Obviamente que não conseguimos ouvir todos os lançamentos internacionais que ocorreram nesse ano, mas posso dar a certeza ao meu leitor que ouvi atentamente os nomes mais importantes do mercado e, daqueles artistas que surgiram e fizeram acontecer. Recebam essa lista como uma seleção particular que não desconsidera e nem diminui a qualidade de outros trabalhos.   

#15 Already Gone – Sons Of The East

Predominantemente folk, “Already Gone” tem uma atmosfera intimista perfeita para que o seu expectador possa viajar em seus próprios devaneios emocionais. “Already Gone” é romântico e  leve, porém intenso.  A exemplo, temos “The Farmer”, “Fast and slow” e “Into the sun”

#14  The Desired Effect – Brandon Flowers

O front end  do The Killers conseguiu fazer um dos discos mais alternativos do ano. Com pegadas de rock, com pegas de R&B, “The Desired Effect” deixa transparecer uma sensualidade musical  irresistível. Impossível não se apaixonar por “Can’t Deny My Love”, “Still Want You”. “The Way it’s always been” e “Lonely Town”.  

#13 Like Us – Jon McLaughlin

O novo trabalho do Jon McLaughlin ostenta um status inferior ao seu antecessor “Holding My Breath”, que é um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos. Apesar dos pesares, “Like Us” tem uma veia discursiva típica do Jon McLaughlin. Uma voz exuberante que tem muito a nos falar. É um disco que consegue compartilhar com nós as intuições emocionais de que nós tanto precisamos, de alguma forma.  A exemplo temos a canção “Before You”,  ” I am always going to love you” e ” I want you anyway”.

#12 Vulnicura –  Björk

Vulnicura é um álbum sentimentalmente não-linear. Há um status quo ante sendo tema central e a partir de um rompimento. Há sem dúvida um discurso em tom confessional e desesperador. Há uma ferida aberta denunciada já no seu título. 

#11 Growing Pains – Maria Mena

“Growing Pains” é um disco reflexivo, essa é a questão. Não é apenas um discurso de rupturas. Há um envolvimento muito maior do que um simples coração partido.  “I Don’t Wanna See You with Her” já denuncia já no seu título o lado conturbado de um “eu” perdido por completo. A perda aqui é uma perda interna ás suas próprias feridas. Com delicadeza da primeira á última faixa, Maria Mena nos apresenta um dos mais belos e sofridos discos do ano. Um coração partido é o ponto inicial de cada música, mas o seu expectador deverá entendê-lo como uma grande imersão nas próprias dores, sem perder a noção de honestidade e necessidade de se abrir, para deixar sair o que dói.  Outro ponto forte do disco é “Not Sober”: “The comfort of my home / Now feels like a prison / My thoughts lacking reason / No one loves me, no one loves me. /  So here’s to a fort falling apart / I’m not sober / I’m not sober”.

#10 Beauty Behind The Madness – The Weeknd

“Beauty Behind The Madness” é um disco de R&B com mesclas de ritmos pop viciantes. Não só o estilo musical se destaca, o novo trabalho do The Weeknd chama a atenção pela imersão  em temas como sexo e drogas, aliadas a um apelo comercial certeiro. É o que vemos, por exemplo,  em “Can´t Feel My Face”, primeiro single do álbum ou em “often”. Nessa última encontramos uma letra de cunho sexual extremamente explícito: “Baby I can make that pussy rain, often / Make that pussy poppin’, do it how I want it”. Para quem ainda prefere uma letra menos sexual, uma boa pedida é “Losers”, gravada em parceria com Labrinth, onde podemos ver versos como: “I’m not the type to count on you because stupid’s next to “I love you””.

#09 Beneath The Skin – Of Monsters and Men

A força de “Beneath The Skin” está na capacidade de extrapolar, de entender a sua própria realidade, mesmo não sendo capaz de se salvar.  “Hunger” é forte, e pode ser forte candidata á melhor música do ano. Não só por causa de “Hunger” que eu considero o álbum do Of Monters and Men um dos melhores do ano. Temos excelentes canções como “Empire”, “Human”, “Crystals” e “Organs”. 

#08 Chaos And The Calm – James Bay

Com um balanço poético sob medida,  “Chaos And The Calm” é um disco essencialmente sobre relações instáveis, mas jamais utópicas. James Bay é folk, pop e rock, No seu debut, encontramos um discurso confessional triste e com ar de irreverência. “Chaos and the Calm” nos passa a ideia de que somente seremos verdadeiramente conscientes do nosso amor quando reconhecermos a necessidade de falar abertamente sobre ele. É aí que surge a beleza pontual de faixas como Scars”, “Let it Go” e “Incomplete”. 

#07 Dark Bird Is Home – The Tallest Man on Earth

Quando eu escutei “Darkness of the Dream” eu pensei: Ser idiota no amor é algo plenamente justificável? É o que podemos inferir a partir de: “I’m still a bunch of memories and shit that I believe. And suddenly the rain  is the only part you feel. And there’s the darkness of the dream”. “Dark Bird Is Home” é folk, rock, com uma linha narrativa se dirigindo para altos e baixos da vida. Abordando uma tristeza menos depressiva e mais auto-depreciativa, “Dark Bird is Home” cumpre a sua temática proposta. Para reforçar o que foi afirmado, podemos citar algo como: “I thought that this would last for a million years
 but now I need to go. Oh, fuck”.

#06 Piece By Piece – Kelly Clarkson

O álbum da Kelly Clarkson se apoia no pop emocional para trazer á tona discursos consistentes, como auto-estima, reviravoltas e uma vontade interminável de se alinhar ao amor. Clarkson desenvolve um tema extremamente latente nas nossas vidas: a vida é um processo. Etapas. Aprendizado baseado em partes. O disco da Kelly Clarkson é daqueles que podemos e devemos ouvir da primeira á última faixa. 

#05 Carrie & Lowell – Sufjan Stevens

Tratando de problemas familiares, Sufjan deixou para o público uma verdadeira obra-prima.  “Carrie & Lowell” narra uma melancolia particular, sustentada na sua própria honestidade e coragem de dar a si e a seu público uma abertura para os seus problemas, conflitos e medos. O álbum é dedicado á mãe do cantor, chamada Carrie, morta em 2012 em virtude de câncer. Já Lowell, o seu padrasto, também foi peça fundamental para o desenvolvimento emocional do disco e dá própria formação humana do Sufjan. “Carrie & Lowell” é um disco intimista e está basicamente imerso no gênero folk. Da relação conflituosa com a mãe, até os seus próprios conflitos, Sufjan divaga com extremo cuidado para sempre soar honesto, ainda que carregue um peso enorme por essa abertura. Além de ser um dos discos de maior relevância emocional do ano, Sufjan Stevens é um dos principais nomes da cena folk contemporânea.

#04 25 – Adele

 Um disco que tem a dor como seu aliado. Não é uma dor isolada. “25” explora feridas mergulhadas em um senso de consciência extraordinário. Claramente há um “eu” em busca de aberturas.  Não se trata de um balanço poético sendo analisado no plano do renunciável e muito menos do superável. São feridas conscientes e essa consciência é o ponto zero. Eu diria que é um ponto acima do zero. Porque há um passado, há contextos á flor da pele.  O que eu vejo em “25” é um discurso de um “eu” consciente do seu próprio vazio e ao mesmo tempo não há uma tentativa obcecada por preenchimento. O vazio poderia ter sido preenchido no passado,se não fosse o silêncio, se não fosse a imaturidade, se não fosse a auto-opressão. O amor em “25” existe de forma quase simbólica. 
“25” é nostálgico porque ele olha para o seu passado e entende que há erros solucionáveis. Há vazios que ainda podem ser preenchidos, há silêncios que precisam deixar de existir.
“25” é um discurso de transição. como se fosse aquele momento da vida que você percebe que precisa virar a página e você de fato toma a primeira atitude.
O novo álbum da Adele quer se livrar de pesos, Há uma tentativa bem sucedida de deixar bem claro que o amor é mais forte que nós e que ele terá desejos que nunca morrerão. Não adianta, anos se passarão e o amor ainda estará lá, á espera de uma atitude nossa, de algo que a gente precisa fazer para nunca abrirmos mão de nossas convicções sentimentais, mas também para não continuarmos vivendo uma vida marcada por silêncio e opressão.
“25” começa com “Hello”. Um monólogo em busca de aberturas. “Hello” simboliza uma tentativa de estabelecer um retorno em meio a um caos sob controle. 
Não há desespero, mas há um coração ainda abalado pelo passado. Grandiosa do começo ao fim,  “Hello” é sem dúvida um dos pontos alto do novo disco da Adele. 
O grande tema de “Send My Love (To Your New Lover” é libertação. De forma suave e anti-romântica, Adele revela um “eu” reerguido e por isso ele se sente pronto para desistir do amor.  
“I Miss You” é nostálgica e se apoia em uma leve sensualidade para convencer o seu expectador. com versos como “I miss you when the lights go out It illuminates all of my doubts”.
Em “When We Were Young” temos a faixa mais importante do disco, do ponto de vista emocional. É um amor verdadeiro sendo personagem, sem nenhum tipo de interferência. A grandiosidade de “When we were young” é o nível de abertura que o “eu” consegue se dar em relação ao seu próprio amor. Não há prisão, ainda que exista dor, muita. O destaque fica  por conta dos versos: “I was so scared to face my fears cause nobody told me that you’d be here. You still look like a movie. You still sound like a song.  My God, this reminds me of when we were young”.
O disco ainda tem outras canções que abordam algum tipo de abertura emocional, como  “All I Ask”, “Million Years Ago”. e “Can’t Let Go”.

#03 Higher Than Here – James Morrison

Quando “Higher Than Here” do James Morrison apareceu aqui no cappuccino pop eu disse que ele “é consciente o tempo todo, mesmo nos momentos mais críticos, em que se vê um “eu” quase em estado total de colapso”. Reafirmo o que foi dito e acrescento. Emocionalmente forte, “Higher Than Here” não perde  a sua sensatez. Faixas como “Too Late For Lullabies”, “Demons” e “I Need You Tonight” não me deixam mentir: “Higher Than Here” é uma das grandes e boas surpresas do ano. 

#02 All American Boy – Steve Grand

A faixa-título é o ponto alto do disco. Porém, encontramos ótimas produções como “We are the night”, “Loving Again” e “Run”. “All American Boy” é um álbum plenamente envolvido com o pop-rock. Flertando diretamente com a sua sexualidade, Steve Grand além de fazer um dos melhores debuts do ano, se tornou ícone de uma geração que não abre mão da sua liberdade de amar. 

#01  Whispers II – Passenger

Um disco para dias vazios. Um disco para uma alma vazia.  Um disco para sobreviver. Um disco para crescimento. Um disco para sentir saudade.Um disco que tenta resgatar a nossa esperança de viver em um mundo são. Um disco que acredita no amor medindo. Um disco que suspira as marcas do tempo perdido. Um disco que narra a solidão com a sua própria dor. Um disco com atmosfera de quem deixou de ser e amar, mas se apoia na sua própria fragilidade.  Um disco centrado e dolorido.
 Whispers II é  delicado, frágil e consciente do seu desconforto, de todo o peso existencial que gira em torno do amor, de sua ausência. Há aqui um ponto de consciência que procura libertação, à sua forma. “Fear of Fear” abre o disco e rapidamente denuncia a grandiosidade existencial que perdurará no disco. É uma necessidade de preenchimento, ainda que o “eu” esteja recolhido, só, e tentando entender qual é parte sã de viver e amar. Há versos como: “Fill my bed full of shadows / Fill my dreams full of strangers / Fill my ears with a ringing / Fill my heart with a fear of fear”. 
“Catch in the Dark” representa com fidelidade o quanto o amor pode ser cruel e injusto e pesado: “I’m a tear drop in an ocean of flames”.  
Já a “Thousand Matches” deixa a mensagem que muitos de nós, ás vezes,nos recusamos a aceitar: “When you love someone sometimes you gotta let them go”. 
“I’ll be your man” mostra a necessidade de não perder as esperanças, na medida do razoável, do confortável: “Give me one last chance, I’ll be your man”. 
“Travelling alone” deixa a sua essência ao abordar o abandono, a tristeza, a solidão, as marcas de promessas não cumpridas. Aqui, encontramos um “eu” feminino que diz: “men are all assholes and life’s a bad joke”.
“David” aborda erros, analisados sobre a perspectiva de uma vida inteira. 
Já “Words” aborda encontros casuais, que deixam marcas em nossas vidas. 
“The Way That I Need You” tem um poder avassalador. É o ponto de reconhecimento, de sair de cena: “So I’m leaving before there’s nothing to believe in / I’m just craving for a love I never knew / Please don’t go mistreating me / I’m not saying you’ve been misleading me / Just not needing me the way that I need you”.
 “Strangers” aborda um vazio existencial que chega a ser assustador de tão real. Fortemente candidata a melhor faixa do disco, “strangers” faz de “Whispers II” um giro explosivo, ainda que mergulhado na fragilidade humana diante do amor. “Strangers” compartilha com nós algo como: ” Though you’re in a house don’t mean its a home / Though you’re in a crowd doesn’t mean you’re not alone / You know my heart is yours and yours alone”. 
Última faixa do disco, “Nothing’s Change” aborda a relevância da reflexão a partir do silêncio, como um processo importante e válido para o nosso auto-conhecimento e, eu diria que para o nosso auto-encorajamento. Aqui, temos: “Sometimes words don’t say enough / Sometimes silence says too much / Too 
close for comfort but too far too touch”.
Whispers II é, merecidamente, o melhor disco de 2015, para o cappuccino pop. 
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