25: Um balanço poético em busca de aberturas

O novo trabalho da Adele se destaca por ser um disco que tem a dor como seu aliado. Não é uma dor isolada. “25” explora feridas mergulhadas em um senso de consciência extraordinário. Claramente há um “eu” em busca de aberturas.  Não se trata de um balanço poético sendo analisado no plano do renunciável e muito menos do superável. São feridas conscientes e essa consciência é o ponto zero. Eu diria que é um ponto acima do zero. Porque há um passado, há contextos á flor da pele.  O que eu vejo em “25” é um discurso de um “eu” consciente do seu próprio vazio e ao mesmo tempo não há uma tentativa obcecada por preenchimento. O vazio poderia ter sido preenchido no passado,se não fosse o silêncio, se não fosse a imaturidade, se não fosse a auto-opressão. O amor em “25” existe de forma quase simbólica. 
“25” é nostálgico porque ele olha para o seu passado e entende que há erros solucionáveis. Há vazios que ainda podem ser preenchidos, há silêncios que precisam deixar de existir.
“25” é um discurso de transição. como se fosse aquele momento da vida que você percebe que precisa virar a página e você de fato toma a primeira atitude.
O novo álbum da Adele quer se livrar de pesos, Há uma tentativa bem sucedida de deixar bem claro que o amor é mais forte que nós e que ele terá desejos que nunca morrerão. Não adianta, anos se passarão e o amor ainda estará lá, á espera de uma atitude nossa, de algo que a gente precisa fazer para nunca abrirmos mão de nossas convicções sentimentais, mas também para não continuarmos vivendo uma vida marcada por silêncio e opressão.
“25” começa com “Hello”. Um monólogo em busca de aberturas. “Hello” simboliza uma tentativa de estabelecer um retorno em meio a um caos sob controle. 
Não há desespero, mas há um coração ainda abalado pelo passado. Grandiosa do começo ao fim,  “Hello” é sem dúvida um dos pontos alto do novo disco da Adele. 
O grande tema de “Send My Love (To Your New Lover” é libertação. De forma suave e anti-romântica, Adele revela um “eu” reerguido e por isso ele se sente pronto para desistir do amor.  
“I Miss You” é nostálgica e se apoia em uma leve sensualidade para convencer o seu expectador. com versos como “I miss you when the lights go out It illuminates all of my doubts”.
Em “When We Were Young” temos a faixa mais importante do disco, do ponto de vista emocional. É um amor verdadeiro sendo personagem, sem nenhum tipo de interferência. A grandiosidade de “When we were young” é o nível de abertura que o “eu” consegue se dar em relação ao seu próprio amor. Não há prisão, ainda que exista dor, muita. O destaque fica  por conta dos versos: “I was so scared to face my fears cause nobody told me that you’d be here. You still look like a movie. You still sound like a song.  My God, this reminds me of when we were young”.
O disco ainda tem outras canções que abordam algum tipo de abertura emocional, como  “All I Ask”, “Million Years Ago”. e “Can’t Let Go”.
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