Tell Me it’s Real é um disco veemente e afável

Gosto de discos afáveis.Porque eles escondem possibilidades. Eles não querem ser eternos, eles querem apenas ser. Gosto de discos que usam os seus próprios sentimentos para nos fazer lembrar que não estamos sós. Gosto desta ideia de usar a solidão para promover uma aproximação coletiva. Arte é isso. É universalizar experiências. é respirar livremente. É você poder chorar no seu canto e no final das contas ter as suas próprias razões para acreditar que o amor é o nosso único manual de instrução para toda a vida.

Para reforçar as minhas afirmações, trago aqui o disco de estreia do duo Seafret. “Tell Me It’s Real” não é só um disco afável. Ele é veemente.  Um disco que te faz levitar em busca de se entender. Há aqui uma abordagem em busca de consensos emocionais.

Verbalizando sentimentos com tanta naturalidade e sinceridade,  “Tell Me It’s Real” se destaca por ser um disco capaz de transformar o vazio existencial em  um grande dilema global. O debut do duo Seafret consegue, de forma lúcida e brilhante, demonstrar que o amor pode sobreviver ao vazio, ao abandono. E, essa ausência do amor, relatada de forma temporária, é vista apenas como dificuldades para se estabelecer acordos emocionais.

Tell Me Its Real
Com 15 faixas, Tell Me It’s Real” pode ser caracterizado como um disco indie-folk.Com uma sonoridade puramente confessional e  que nos remonta ao cantor Damien Rice, Kodaline e Joni Mitchell, o disco do Seafret é sem dúvidas uma das grandes boas surpresas de 2016. A seguir  faço uma análise faixa a faixa do álbum.

“Missing” retrata conflitos dualistas e não pontuais. Há uma linha de dúvida, de riscos, de devaneios prestes a se tornar irracionais. Nesta faixa há um “eu” buscando as suas soluções emocionais. Em Missing encontramos uma  voz  descobrindo o seu próprio  tempo e, à sua forma, busca  entender a sua própria desordem.

“Give Me Something”  traz um “eu” em busca do seu espaço. Há aqui uma necessidade de caminhar, de buscar segurança emocional, mas essa necessidade não é solitária. Aqui, o caminho só será válido se for trilhado por dois, não importa onde esses “dois” irão chegar.

“Wildifre” entende o amor como arranjos emocionais. Isto é, o amor é visto como um forte e seguro sentimento para estabelecer conexões de mútua colaboração.

“Breathe” é um relato pessoal de alguém que precisa encontrar o seu botão de pausa. Apesar de uma desconstrução  sentimental evidente, há alguém ali precisando respirar, seguir em frente, mesmo que nada esteja totalmente esclarecido ou superado.

“Oceans”  é uma balada romântica em que prevalece a vontade de amar, incondicionalmente. Esta é uma canção para nos lembrar que o amor não pode deixar de ser um sentimento extraordinário. Nessa faixa o amor é retratado de maneira delicada e da forma como ele verdadeiramente é. Contemplativa sem ser superficial, Oceans é uma ótima canção para se declarar, se permitir e entender que o amor está nas pequenas coisas, como no toque, no beijo, no cuidado, na atenção, no diálogo, enfim, na nossa capacidade de ser incríveis juntos.

Em seguida temos a faixa “Over” em que há um “eu” em busca de aberturas. Envolvida nas suas próprias feridas, “Over” sabe  a força que é perder um grande amor. É uma força que procura sobreviver entre  uma prudente determinação e uma arriscada sensação de se perder em algum determinado momento.

Já em “Tell Me It’s Real” o duo Seafret mostra que o amor pode nos fazer entender e sentir todo o alcance da palavra liberdade. Ele, o amor, é como um caminho para que as nossas vidas se alinhem com os nossos sentimentos.

“Be There” tenta resgatar a essência de um verdadeiro amor. Aqui, há um sentimento de querer estar junto até o fim. Não é um desejo de ser eterno. É um desejo de viver  amando, de fazer do amor uma rotina em nossas vidas.

“Beauty on The Breeze” aborda a importância de encontrarmos força, mesmo quando tudo se parece um caos infinito. Mesmo que a vida nos faça questão de ocultar a direção pela qual devemos seguir. Mesmo que nos sentimos sós e sem argumentos.

“Atlantis”:é uma balada romântica irresistível. Plano de fundo para mensurar o poder das palavras, Atlantis tem um ar de nostalgia, como um relato de alguém que disse algo que não deveria ter sido dito, ao menos daquela forma. Há uma dor. Há uma perda. Há uma voz de alguém capaz de analisar as suas palavras erradas e a sua única reação diante dos seus próprios erros é apenas cantar.

“Skimming Stones” pode ser vista como um discurso de alguém que atingiu a sua maturidade emocional apenas depois que experimentou um rompimento, um vazio que já foi preenchido no passado. Daí, há uma voz querendo estabelecer o seu status quo ante. Açguém que quer retornar e reconstruir uma linda história de amor, desta vez de forma mais estável e segura.

“Theres’s a Light”: é simplesmente fantástica. Com uma mensagem extremamente otimista, There’s a Light aborda um “eu” consciente da sua maior fraqueza diante da vida: o amor. Apesar dessa afirmação, há um reconhecimento encorajador. É que, embora o amor seja um grande dilema, há uma voz que reconhece que ao longo do caminho encontraremos luzes, algum tipo de iluminação que nos fará compreender  tudo o que nos dilacera por dentro.

Já nos primeiros versos “To The Sea” nos diz que o adeus é muito forte, uma palavra muito forte. Forte para entender, para superar e até mesmo para acreditar que um “adeus” pode se tornar um “eu te amo”.

“Out Of Nowhere” fala sobre o lado provisório da vida que muitas vezes nos faz sentir medo, hesitar e até mesmo não entender a força de um amor não revelado. Out Of Nowhere é mais sobre uma perspectiva de trilhar novos caminhos  sem deixar de entender a efemeridade da vida.

“Overtime” quer encontrar o seu espaço, quer viver com o seu amor. Há um “eu” com um senso de maturidade evidente. Aqui, para viver o seu próprio amor, este “eu” está disposto a lutar para aprender a reagir às adversidades da vida.

Avaliação cappuccino: Nota: 9,1.

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