Top cappuccino: 20 músicas internacionais de 2016

Ainda acredito no poder da música para catalisar essencialismos. É um processo-dever. É como se fosse um processo lento de recuperação, de vivenciar a sua própria fragilidade e encontrar [na música] a sua própria reabilitação. Música te dá força. Música te entorpece. Música não te deixa esquecer a sua própria realidade, ainda que ela se torne uma devastação insustentável. Eu sempre vou acreditar na música. Eu sempre vou entender a mim a partir de discursos introspectivos ou talvez nem tanto. A única certeza é que toda a dor que 2016 me trouxe foi atenuada pela música, aliás, no plural. E, ser plural aqui é uma forma de se entender por múltiplas vozes e tons. Essas são, enfim, as minhas 20 músicas do ano de 2016.

#20 Million Reasons – Lady Gaga

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Ainda que “Million Reasons” seja muito inferior às baladas românticas como You and I, Dope e Speechless, ela merece um lugar de destaque. Million Reasons é o carro chefe do estranho novo disco da Gaga.

#19 Brazil – Declan McKenna

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Declan McKenna é, pra mim, o responsável pela melhor música pop-chiclete de 2016. Ainda sem um álbum de estréia, Declan é um jovem cantor com ares de Arctic Monkeys +Foster the People. Brazil é um vício certo para quem pretende se entreter sem exigir nada em troca. É uma faixa para acontecer, ouvir, cantar e não se importar tanto.

#18 Ruin – Shawn Mendes

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Em “Ruin” Shawn Mendes consegue nos provar que pode ser muito mais que um sexy cantor teen. Com um discurso emocionalmente envolvente, “Ruin” tem uma pegada de jazz sem fugir do pop. O cantor consegue explorar sentimentos que discorrem sobre maturidade emocional, devaneios, incertezas e rupturas. “Ruin” é uma faixa bem produzida e te faz ter orgulho de ouvi-la porque você se identifica e encontra alguma espécie de alívio.

#17 I Know Better – John Legend

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Tratando de processos pessoais de crescimento/conhecimento/empoderamento, o cantor de R&B John Legend não decepciona em “I Know Better”. A voz marcante do cantor é acompanhada por um piano irresistível.

#16 Hey, I Won’t Break Your Heart – Corinne Bailey Rae

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Discorrendo sobre amor, expectativas frustradas e sobre uma crença em uma provável reconciliação, Corinne fez, sem dúvidas, uma das melhores músicas do ano.

#15 Angela – The Lumineers

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Angela fala sobre rompimentos e sobre a fé em novos tempos. É uma balada romântica para dias cinzas ou para momentos não tão agradáveis.

#14Magnetised – Tom Odell

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Visceralmente pop, “Magnetised” nos revela um Tom Odell pronto para as pistas noturnas. Nessa faixa, que pode ser considerada uma das melhores do disco, Tom Odell demonstra a sua necessidade de abordar a falta do amor na sua vida e ao mesmo tempo reafirma a sua perseverança em continuar o seu caminho, ainda que incerto e meramente experimental.

#13 Onde Quero Estar – Paulo Sousa

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Diretamente de Portugal, a balada “Onde Quero Estar” soa muito bem aqui no Brasil. Com uma voz irresistível e acompanhada por um piano, Paulo Sousa fez uma das faixas mais lindas do ano. Uma faixa sobre amor, sobre inseguranças, sobre dependências emocionais. “Onde Eu Quero Estar” é uma canção para amar ou no mínimo para quem entende o amor como um caminho irreversível.

#12 Kids – OneRepublic

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Kids é uma balada pop que fala sobre um sentimento de estar cheio de si mesmo. Há um discurso que tenta estabelecer uma linha de conforto ou um denominador comum entre presente e passado.

#11 Everything – Parachute

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Parachute é uma daquelas bandas da década de 2000 que ainda vale a pena ouvir. E, em 2016 a maior prova disso é a intimista “Everything”.

#10 I Need A Forest Fire – James Blake

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“I Need a Forest Fire” é uma canção com um ar fortemente decadencial. James Blake explora um discurso que procura o seu ponto de equilíbrio em meio ao seu próprio caos.

#09 Nikes – Frank Ocean

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Frank Ocean conseguiu satisfazer as expectativas em torno do seu aguardado segundo álbum. A prova disso é a potente “Nikes”. Uma faixa que faz críticas comportamentais, críticas sobre consumo, além de ser deliciosamente irreverente.

#08 Alive – Sia

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“Alive” é sobre superação, sobre continuar respirando a cada tempestade que entramos, ainda que por pura inexperiência.

#07 Home – Passenger

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Em 2015, o cappuccino POP elegeu o disco do Passenger como o melhor do ano. Em 2016 o cantor volta com outro grande disco. “Home” é uma faixa que aborda insensibilidade, medo, coragem, definições, e principalmente, amor sob a perspectiva da instabilidade.

#06 Walls – Kings Of Leon

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Walls é uma balada romântica que fala sobre lutar, sobre a necessidade de criar coragem para caminhar, mesmo que sozinho.

#05 Burn The Witch – Radiohead

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Muito mais que uma faixa experimental, “Burn The Witch” é uma faixa de cunho político, notadamente sobre sistemas políticos autoritários e sobre a crise global de refugiados.

#04 Oceans – Seafret

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“Oceans” é uma balada romântica em que prevalece a vontade de amar, incondicionalmente. Esta é uma canção para nos lembrar que o amor não pode deixar de ser um sentimento extraordinário. Nessa faixa o amor é retratado de maneira delicada e da forma como ele verdadeiramente é. Contemplativa sem ser superficial, Oceans é uma ótima canção para se declarar, se permitir e entender que o amor está nas pequenas coisas, como no toque, no beijo, no cuidado, na atenção, no diálogo, enfim, na nossa capacidade de ser incríveis juntos.

#03 Carry On – Norah Jones

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Norah Jones , na nossa opinião, é a responsável por ter feito a melhor balada romântica de 2016. Carry On é delicada nas melodias e intensa no que quer falar. Há um discurso de crises, de palavras que não deveriam ter sido ditas, de fatos que não deveriam ter acontecido. Mas, a beleza de Carry On reside simplesmente na vontade de querer seguir em frente, de [re]estabelecer um relacionamento que, apesar de tudo, ainda é importante.

#02 I Am – James Arthur

James Arthur
Em “I Am” James Arthur demonstra a impossibilidade de se definir por completo. Melhor, o cantor tenta fugir de parâmetros definíveis ou mesmo previsíveis de si mesmo. Há uma tentativa bem sucedida de desconstruir falsas construções acerca da sua própria personalidade. Uma canção com forte influência de rock, “I Am” mostra um “eu” em chamas, em busca de se impor, ao menos o seu discurso de [auto]afirmação.

#01 Encore un Soir – Céline Dion

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Encore un Soir de longe foi a música mais importante na minha vida e eu assumi a responsabilidade [pelo menos aqui] de colocá-la como a melhor faixa do ano. Encore un Soir trata do mais importante sentimento humano e que é negligenciado por grande parte da humanidade. Um sentimento que está acima do amor e que não é tão enigmático assim. Encore un Soir é uma mantra protetor para quem entende que nem a proteção é definitiva. Cantada em francês, a sua importância emocional é, sem dúvida, multicultural. Encore un Soir é verdadeira, ainda que a verdade seja difícil de ser aceita. E é aí que reside a delicadeza dessa canção. Não temos o poder de escolher a verdade. Não temos o poder de absolutamente nada e talvez somente a partir dessa tomada de consciência que seremos humanos verdadeiramente.

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